Consumidores reclamam do novo reajuste da gasolina em Feira de Santana: 'está insustentável'

 


Quem precisou abastecer o veículo na manhã desta quarta-feira (5) em Feira de Santana, tomou aquele susto que já está fazendo parte da rotina de muitos feirenses. Mais um aumento no preço da gasolina.

Taxista há 30 anos, o senhor Raimundo Bacelar informou à reportagem do Acorda Cidade que todos os dias abastece o veículo com cerca de R$ 40 para apenas ficar parado no ponto de táxi.

Segundo ele, com os preços que estão aumentando a cada dia, não é vantagem ficar circulando no centro da cidade em busca de um passageiro.

Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

"Está um verdadeiro absurdo, a gente chega nos pontos de táxi, coloca em torno de R$ 30, R$ 40 para ficar parado aqui na praça, porque ficar rodando não tem condições com a gasolina nesse preço. Então eu fico aqui, esperando algum passageiro e juntando dinheiro para colocar mais combustível e voltar para casa", afirmou.

De acordo com o taxista, uma corrida que é feita do bairro Capuchinhos para o bairro da Cidade Nova, custa em média de R$ 28. Segundo ele, não é vantagem aguardar um novo passageiro para retornar ao centro da cidade, porque não encontra.

"A gente não fica esperando no local, porque demora muito, então é melhor voltar para o ponto no centro da cidade, que é mais movimentado, tendo mais chance de encontrar passageiro. Isso está prejudicando muito, ainda mais os taxistas que não são aposentados e precisam continuar na correria. Eu chego aqui mesmo, por volta de 6h, 6h30 e estou aqui sem fazer corrida nenhuma, pode colocar a mão na descarga que está fria, porque o carro praticamente não saiu daqui hoje", lamentou.

Outro motorista que preferiu não se identificar, informou ao Acorda Cidade que até percebeu o preço da gasolina reduzir, mas logo aumentou novamente.

"O preço da gasolina baixou um pouco, mas logo depois subiu. Na verdade, poderia até está mais barata, e a gente tem visto que o presidente está disposto a tirar a exploração da população a exemplo dos tributos, o gás, a energia, mas não consegue baixar o preço do combustível. Ele até diminuiu a parte dele, mas os estados estão renitentes em manter um nível elevado do ICMS para a população", disse.

Ainda segundo o motorista, ele precisa gastar em torno de R$ 500 para abastecer todo o tanque.

"Eu gasto em média de R$ 500 para encher todo o tanque, porque esse carro aqui são 75 litros, então é um absurdo", afirmou.

Para o engenheiro civil Jaime Cruz, o interesse da Petrobras, não é favorecer a classe trabalhadora, mas sim, os acionistas.

Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

"Não tem condição de assumir o preço do combustível como está. Acredito que as pessoas lembrem da reclamação que foi feita quando o preço da gasolina estava em R$ 3, R$ 3,50 e nesse período houve um grande movimento, só que hoje, com o preço que está, a população não está se manifestando. O interesse da Petrobras, não é favorecer a classe trabalhadora, quem roda como motorista de aplicativo, quem roda como taxista. Com a variação do dólar que vem acontecendo, automaticamente vem variação de preço para o combustível também, mas quem lucra com isso, é a Petrobras, sãos os acionistas, principalmente aqueles que estão em Nova York, na Bolsa de Valores do Ibovespa aqui no Brasil, então, é uma situação insustentável. Precisamos rever este preço dos combustíveis porque impacta diretamente em tudo, como no transporte, no diesel, no frete das mercadorias e estamos vendo aí, motorista de aplicativo escolhendo corrida, o que não acontecia antes", disse.

Ainda de acordo com Jaime Cruz, se o transporte coletivo do município oferecesse um bom serviço, muitas pessoas deixaram os veículos em casa.

"Se a gente tivesse um transporte coletivo de qualidade, deixaríamos o carro em casa por um tempo, mas estamos vendo aí, Feira de Santana com esse tipo de transporte coletivo, um BRT que nunca se implantou, sendo que em outros países, não é assim. As pessoas deixam os carros em casa, saem para trabalhar de ônibus, tem ar-condicionado, tem horário para cumprir, mas infelizmente aqui não é dessa forma. A situação está insustentável, nossa política econômica precisa ser mudada", destacou.

Foto: Andrea Trindade/Acorda Cidade

Em nota, o Sindicombustíveis manifestou preocupação com o aumento de preços. Confira:

A revenda de combustíveis da Bahia foi surpreendida no final do ano de 2021 com o reajuste dos combustíveis comunicado pela Refinaria Mataripe, administrada pela Acelen, ligada ao fundo árabe Mubadala. Está em vigor, desde o dia 1º de janeiro, aumento de R$ 0,21 para a gasolina A, de R$ 0,13 para o diesel S10 e R$ 0,14 para o diesel S500.

O primeiro aumento nos preços dos combustíveis do ano anunciado pela Acelen preocupa o Sindicombustíveis Bahia. “A política de preço adotada pela Refinaria Mataripe destoa da praticada pela Petrobras e aponta para um desequilíbrio no mercado de refino do petróleo, já que não há uma concorrência direta da Petrobras pelo mercado de abrangência do grupo árabe (Bahia e Sergipe). Além disso, a estrutura portuária da Bahia não está adequada para receber grandes navios petroleiros e isso impedirá as distribuidoras de buscarem alternativas no mercado internacional”, declara o presidente do Sindicombustíveis Bahia, Walter Tannus Freitas.

Somado ao reajuste anunciado pela Acelen, o diesel também terá impacto em seu custo de R$ 0,06 em função do biodiesel, que é misturado ao produto e que sofreu aumento em 1º de janeiro de 2022.

Houve também aumento do Gás Natural Veicular (GNV) pela Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás). A tarifa do GNV foi reajustada em 3,88% (média de todos os segmentos), no primeiro dia do ano novo, conforme Resolução Nº 59 da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), publicada no Diário Oficial do Estado de 30 de dezembro de 2021.

O Sindicombustíveis Bahia reafirma que não interfere no mercado e respeita a livre concorrência. 

 

Fonte: Acorda Cidade

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