Reitor da Uefs explica motivo da demolição da 'Senzala'

 


Na última sexta-feira (12), a administração da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs),demoliu a 'Senzala', conhecido espaço da instituição que era utilizado por muitos estudantes.  A vistoria técnica da Universidade, constatou que o telhado encontrava-se bastante danificado, devido, principalmente, à ação da queda de galhos da árvore situada próximo ao prédio.

Em entrevista ao Acorda Cidade, o reitor da unidade de ensino, Evandro Nascimento, explicou que o local tinha sido construído há mais de 20 anos, como forma de ser um espaço para debates e discussões da própria comunidade universitária.

Foto: Divulação/Uefs
 

"Um movimento estudantil e também pessoas de outros segmentos da Universidade, fizeram um processo de aglutinação e queriam ter este espaço de debate, de discussão das questões da Universidade, além da integração com a comunidade. Ao longo do tempo, isso foi produzindo um processo de esgotamento dessa experiência e não víamos muitas pessoas da comunidade participando, não era mais um espaço acolhedor, inclusive, a administração se ofereceu em apoiar as atividades, porque queríamos que o espaço pudesse dar a possibilidade de trabalhar por um via ligada às questões institucionais. Ao longo desse período, sobretudo na pandemia, não houve atividades naquele espaço, não cabia a administração gerenciar esse espaço e as pessoas que se diziam responsáveis pela Senzala, não estavam cuidando do espaço. Com o processo de deterioração da instalação física, quebra de telhado por parte de galhos, forte chuva, a equipe técnica constatou o risco que poderia causar acidente, então a melhor opção foi demolir", explicou.

Com relação uma carta de repúdio contra a demolição do espaço, o reitor destacou que isso está sendo levado em conta como politização e alguns fatos não condizem com a realidade.

"A gente deve lembrar que o grupo disputou a última eleição da reitoria, e esta nota eu vejo como uma preocupação porque, é uma nota que politiza a questão de uma forma distorcida e tem elementos que não condizem com a realidade. Essa foi a gestão mais democrática que essa Universidade já teve, porque devemos lembrar que a Uefs passou por uma período em que um reitorado passou muito tempo sem reunir os Conselhos da Universidade, que é a base da democracia na Universidade. As decisões eram tomadas somente pela reitoria, sem ouvir os conselhos e a comunidade, e havia pessoas do grupo Uefs de Todos, que foram peças-chaves desse processo de ausência de democracia da Instituição. Acredito que isso é uma politização, um processo de disputa que não está sendo fidedigno, eu diria que essa nota tem até um tom de Fake News, por se distanciar dos fatos, na tentativa de atingir a reitoria. Respeito às posições daquelas pessoas que até tiveram militância, tiveram experiência, vivência com a Senzala, porque ela tem sim, um simbolismo, mas esse simbolismo, não se mantém mais hoje, como já foi um dia", concluiu.

Foto: Dagoberto Freitas


Contrário a decisão tomada pela administração da Uefs, o graduado em Licenciatura em Letras-Espanhol, Matheus Silva do Carmo, destacou que o espaço, a 'Senzala', era o local responsável pela cultura e manifestações dentro e fora da Universidade. Segundo ele, o local é considerado um patrimônio imaterial de Feira de Santana.

"O objetivo era arrancar de um espaço, o que a gente não tinha dentro de uma Universidade livre e aberta, um local responsável pela cultura, pelas manifestações dentro e fora da Universidade. Lá na Senzala, a gente encontrava livros que não encontrava dentro da biblioteca, encontra música de vinil, fitas, um verdadeiro acervo que eram doados por professores, estudantes e nesta semana, ficamos sabendo da derrubada da Senzala, mais uma perda, não só para o nosso legado acadêmico, mas quem perde, é a cultura e a arte de Feira de Santana como um todo. A Senzala, era um patrimônio imaterial da cidade, queira a reitoria institucionalizá-la ou marginalizá-la. Mas a Senzala continua viva dentro de cada um de nós artistas feirenses, e quem é artista, sabe disso. Ficamos indignados porque se trata de golpe atrás de golpe, mas a Senzala resistiu a tempos sombrios de reitorias, porque antes, tínhamos uma reitoria muito mais fechada do que hoje", afirmou Matheus ao Acorda Cidade..

De acordo com ele, nunca foi cogitada a possibilidade da 'Senzala' ser destruída.

"Fomos pegos de surpresa, inclusive desagradável porque não esperávamos que ela fosse demolida, porque já passamos por tempos tão difíceis, mas agora a reitoria vem com esta demolição. Acredito que a gente poderia rever isso, dialogar, porque aquele espaço transforma pessoas, um espaço para o bem comum e em tempos de pandemia com as portas fechadas, em pleno Novembro Negro, derrubaram a Senzala. Mês que tanto a gente preza pela Consciência Negra, somos atacados com este golpe, portanto é lamentável, assim como estamos vendo no Centro Cultural Amélio Amorim, que também é importante e vimos aí o descaso com a abóbora, a Boate Jerimum, um patrimônio que está se perdendo, mas ninguém fala nada. Agora temos aí com esta da Uefs e vamos ver até quando nós vamos perder as coisas, iremos ver quantas bibliotecas terão que ser queimadas para aprender que precisamos das bibliotecas, então eu acho que a gente poderá se organizar enquanto sociedade e buscar alternativas para a manutenção dos nossos valores e não destruir", concluiu.

Fonte: Acorda Cidade

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