Elemento presente em dentes humanos é encontrado em galáxia distante

 

Representação artística mostra uma distante galáxia em formação de estrelas, a mais de 12 bilhões de anos-luz de distância
O flúor foi encontrado em um galáxia distante e expande o conhecimento sobre o elemento químico. Representação artística mostra uma distante galáxia em formação de estrelas, a mais de 12 bilhões de anos-luz de distância. Foto: M. Kornemesser. Ashley Strickland da CNN

CNN Brasil - Nós realmente somos feitos de poeira estelar, como disse uma vez o astrônomo Carl Sagan. A famosa frase confirma uma descoberta inédita da astronomia.

Pela primeira vez, astrônomos detectaram um elemento encontrado em nossos dentes em uma galáxia muito distante – localizada a mais de 12 bilhões de anos-luz.

O elemento é o flúor, que pode ser encontrado em nossos ossos e dentes.

“Todos nós sabemos sobre o flúor porque a pasta de dente que usamos todos os dias contém flúor”, disse o principal autor do estudo, Maximilien Franco, pesquisador de pós-doutorado em astrofísica da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, em um comunicado.

“Nem sabíamos que tipo de estrela produzia a maior parte do flúor no Universo!” Os elementos encontrados em nosso sistema solar, na Terra e até em nossos próprios corpos se originaram dentro dos núcleos das estrelas, que os liberaram em explosões estelares.

No entanto, o mistério de como o flúor foi criado dentro dessas estrelas persiste. Os pesquisadores usaram telescópios no Chile para fazer a detecção de flúor na galáxia.

Origens

O flúor estava presente como fluoreto de hidrogênio nas nuvens de gás da galáxia NGP-190387. A luz dessa galáxia viajou mais de 12 bilhões de anos para chegar até nós, então, os astrônomos veem a galáxia como ela surgiu, quando o universo tinha apenas 1,4 bilhão de anos.

As estrelas que liberaram flúor em todo o universo provavelmente viveram rápido e morreram jovens, disseram os pesquisadores, o que aponta estrelas Wolf-Rayet como sua provável origem.

Estrelas Wolf-Rayet

Essas estrelas evoluídas são incrivelmente massivas, mas só sobrevivem por alguns milhões de anos – uma linha do tempo curta quando comparada com os 13 bilhões de anos de existência do nosso universo.

Apenas algumas estrelas massivas evoluem para Wolf-Rayets à medida que se aproximam do fim de suas vidas. Este estágio dura algumas centenas de milhares de anos, mas, na vida de uma estrela, isso é muito pouco.

Apenas uma a cada 100 milhões de estrelas tem massa suficiente para ser uma Wolf-Rayets.

Anteriormente, os pesquisadores pensavam que as estrelas com essa classificação eram as fontes prováveis ​​de flúor, e esta detecção direta confirma isso.

“Nós mostramos que as estrelas Wolf-Rayet, que estão entre as estrelas mais massivas conhecidas e podem explodir violentamente ao chegarem ao fim de suas vidas, nos ajudam, de certa forma, a manter uma boa saúde bucal”, disse Franco.

Um estudo detalhando essas descobertas foi publicado nesta quinta-feira (5) na revista Nature Astronomy.

O flúor e o universo primordial

Outras fontes potenciais de flúor que os cientistas consideraram incluem estrelas pulsantes com massa algumas vezes maior que a do nosso sol.

Mas a evolução desses corpos celestes ocorre ao longo de bilhões de anos, o que demoraria muito e não explicaria a quantidade de flúor detectada na galáxia distante.

“Para esta galáxia, levou apenas dezenas ou centenas de milhões de anos para ter níveis de flúor comparáveis ​​aos encontrados nas estrelas da Via Láctea, que tem 13,5 bilhões de anos. Esse foi um resultado totalmente inesperado”, disse o coautor do estudo, Chiaki Kobayashi, um professor da Universidade de Hertfordshire, em um comunicado.

“Nossa medição adiciona uma restrição completamente nova à origem do flúor, que foi estudada por duas décadas.”

Encontrar flúor em uma galáxia tão distante expande o alcance desse elemento. Antes dessa descoberta, ele só havia sido detectado em nossa galáxia, a Via Láctea, e suas vizinhas, bem como em alguns quasares distantes, ou objetos celestes brilhantes que são alimentados por motores de buracos negros supermassivos no centro de algumas galáxias.

Mas essa detecção coloca o flúor como um elemento que existia no início do universo.

Os pesquisadores estão ansiosos para observar a galáxia usando o Extremely Large Telescope, atualmente em construção no Chile e que deve iniciar as observações em 2027, o que pode revelar mais detalhes sobre a NGP-190387 e seus mistérios.

(Este texto é uma tradução. Para ler o original, em inglês, clique aqui)

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