Alta do preço da energia reduz PIB em 0,11% em 2021 e 0,19% em 2022, diz CNI

 

Inflação sobre a energia elétrica resulta em uma queda de 0,11% do PIB (Produto Interno Bruto) de 2021
Inflação sobre a energia elétrica deve resultar em uma perda de 166 mil empregos neste ano e 290 mil empregos em 2022, estima a Confederação Nacional da Indústria em estudo. Inflação sobre a energia elétrica resulta em uma queda de 0,11% do PIB (Produto Interno Bruto) de 2021. Marcello Casal Jr Agência Brasil

CNN Brasil - A alta na conta de luz —consequência da pior crise hídrica dos últimos 90 anos— apertou o orçamento das famílias brasileiras nos últimos meses e vai impactar diretamente a recuperação da atividade econômica.

De acordo com estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quarta-feira (3), a inflação sobre a energia elétrica resulta em uma queda de 0,11% do PIB (Produto Interno Bruto) de 2021 e de 0,19% no indicador do ano que vem. Os valores são equivalentes a perdas de R$ 8,2 bilhões e R$ 14,2 bilhões, respectivamente, a preços de 2020.

No mercado de trabalho, a inflação sobre a energia elétrica deve resultar em uma perda de 166 mil empregos neste ano e 290 mil empregos em 2022, em relação à quantidade de pessoas ocupadas entre abril e junho de 2021.

Sozinho, o PIB industrial, relativo à indústria total (indústria e transformação, os serviços industriais de utilidade pública e a construção) deve sofrer com redução de 0,17%, equivalente a uma perda de R$ 2,2 bilhões a preços de 2020.

“Neste ano, o emprego na indústria total deve cair 0,20%, o equivalente a uma perda de 33,9 mil empregos em relação à quantidade de pessoas ocupadas entre abril e junho de 2021″.

Em 2022, o PIB industrial deve cair 0,29%, e o emprego no setor indústria total deve recuar 0,30%, o equivalente a 50,8 mil empregos.

Veja o impacto do aumento do preço da energia nos setores da atividade econômica nos dois anos:

Esses impactos no PIB e no consumo das famílias são explicados através de uma lógica de efeito em cadeia, como aponta Marcelo Azevedo, gerente de análise econômica da CNI.

“O aumento do custo da energia elétrica resulta em um preço maior para os consumidores. Parte deles passa a consumir importados. Isso resulta em produção menor no país, com efeitos que espalham por toda a cadeia de fornecedores, que também passam a produzir menos. Com menor produção, os setores tendem a precisar de menor quantidade de mão de obra. Parte dos trabalhadores são demitidos, reduzindo a renda das famílias”, disse.

“São dois efeitos, portanto, sobre o consumo, que se reduz com a queda da renda e com a elevação dos preços. Essa queda no consumo afeta negativamente todos os setores produtores”, disse o economista.

Conta de luz vai subir 18,8%

Segundo a CNI, a conta de luz deve ter aumento médio de 18,80% em 2022, em decorrência da crise hídrica. O valor considera que a bandeira tarifária de escassez hídrica, que estabelece uma taxa extra na conta de luz de R$ 14,20 a cada 100 kWh e terá vigência até abril do ano que vem.

A CNI estima ainda que a bandeira tarifária tem um peso de 13,23% na conta de luz total das famílias. “O aumento total de 127,5% [em 2021] na bandeira tarifária deve se refletir em um aumento de 16,87% na conta de luz das famílias em relação ao valor inicial da bandeira vermelha patamar 2”, calcula.

Robson Braga de Andrade, presidente do CNI, afirma que, atualmente, 16 encargos, impostos e taxas setoriais incidem sobre a tarifa de energia elétrica. Segundo ele, essas taxas correspondem a 47% do custo total da tarifa de energia.

“O alto custo dos impostos e dos encargos setoriais e os erros regulatórios tornaram a energia elétrica paga pela indústria uma das mais caras do mundo, o que nos preocupa muito, pois a energia elétrica é um dos principais insumos da indústria brasileira. Essa elevação do custo de geração de energia é repassada aos consumidores, com impactos bastante negativos sobre a economia”, diz Robson.

Setores da indústria mais afetados

A pesquisa ainda apontou que os setores industriais mais impactados com a tarifa energética são: gás natural e outras utilidades; metalurgia; fabricação de peças e acessórios para veículos automotores; produção de ferro gusa; ferroligas; siderurgia e tubos de aço; fabricação de produtos de madeira; mineração; têxteis; celulose e papel, além do próprio setor de energia elétrica.

A economista da CNI Maria Carolina Marques explica que o aumento no preço da energia não afeta todos os consumidores igualmente. Ela diz que “os impactos setoriais dependem da variação de preços, intensidade no consumo de energia e se os produtos fabricados pelo setor são comercializados internacionalmente”.

O estudo da confederação desconsidera o consumo de energia autogerada para a avaliação de impacto do aumento no custo da energia elétrica e utiliza as contas nacionais do IBGE como base para a calibração do modelo de equilíbrio geral computável utilizado. No total, foram considerados 67 setores de atividade, 129 produtos, uma margem de comércio, três margens de transporte, duas origens (doméstico e importado), uma família representativa, um nível de governo e um setor externo agregado.

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