Vacinas da Moderna e da Pfizer têm baixo risco de inflamações cardíacas

 

Área de observação após a aplicação de vacina em Seattle, nos EUA: país registrou casos de complicação rara -  (crédito: Jason Redmond/AFP)Área de observação após a aplicação de vacina em Seattle, nos EUA: país registrou casos de complicação rara - (crédito: Jason Redmond/AFP).
Correio Braziliense - Dois estudos publicados, nesta terça-feira (29/6), na Revista da Associação Médica Norte-Americana (Jama) descreveram um tipo de evento associado às vacinas de RNA mensageiro (mRNA) da Moderna e da Pfizer. No total, 27 pessoas apresentaram inflamação no músculo cardíaco (miocardite) após receberem a segunda dose do imunizante. Contudo, tanto os pesquisadores quanto os especialistas independentes ressaltam que são efeitos colaterais raríssimos, muito menos comuns do que os danos cardiovasculares causados pela covid-19.

Os dois artigos foram precedidos por outros estudos que também registraram casos de miocardite e pericardite (quando a inflamação é nos tecidos que circundam o coração) nos Estados Unidos e em alguns países europeus. Na semana passada, o Centro de Controle de Doenças norte-americano, o CDC, realizou um painel sobre segurança de vacinas no qual foi divulgada a informação de que há uma “provável associação” entre os imunizantes de mRNA e o risco raro de inflamação coronariana em adolescentes e jovens adultos.

Segundo o CDC, foram confirmados 383 casos após a segunda dose da vacinação com as substâncias de RNA mensageiro. Quando se incluem também pessoas com mais de 30 anos, o número de registros passa para 1,2 mil. No início do mês, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) divulgou um comunicado informando que o comitê de segurança do órgão acompanha atentamente os efeitos colaterais do tipo.

De acordo com o relatório da agência, até o fim de maio, foram registrados 122 casos de miocardite após a vacina da Pfizer e 16 depois da Moderna. Estatisticamente, é um risco muito baixo: o universo de doses aplicadas no mesmo período dos dois imunizantes foi, respectivamente, de 160 milhões e de 19 milhões. Já as ocorrências de pericardite foram 126 (Pfizer) e 18 (Moderna). O Ministério da Saúde de Israel também reportou, no início de junho, que, entre dezembro de 2020 e maio de 2021, entre mais de 5 milhões de pessoas vacinadas, foram detectados 275 casos de miocardite. A maior parte dos pacientes era homem, com 16 a 30 anos.

Até agora, esses dados são observacionais: ou seja, não se estabeleceu uma relação de causa e efeito. É o mesmo caso dos estudos publicados ontem no Jama. Em um deles, pesquisadores das Forças Armadas norte-americanas e da Clínica Mayo, entre outras instituições, relatam 23 casos de miocardite em homens jovens, incluindo 22 militares previamente saudáveis, ocorridos em um universo de 2,8 milhões de doses de vacinas de mRNA. Os sintomas surgiram entre 12 e 96 horas depois da injeção.

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