Aspra convoca policiais para manifestação e diz que vai pedir investigação sobre caso do policial no Farol da Barra

 


A morte do policial militar Wesley Soares Góes, ontem (28), no Farol da Barra em Salvador, está gerando muita discussão e polêmica, sobre a situação geral dos demais policiais militares da Bahia. O diretor da Associação dos Policiais e Bombeiros de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) em Feira de Santana, o policial militar Dos Anjos, disse ao Acorda Cidade que o que ocorreu com Wesley expressa toda a revolta da tropa e a indignação de como o estado da Bahia trata esses profissionais.

Para ele, a sensação é de desapontamento muito grande e a Aspra pedirá uma investigação sobre a ação, uma vez que avalia como desastrosa.

“Acompanhei também uma outra operação que o Bope participou em janeiro, no dia 10, no bairro 7 de abril em Salvador, onde quatro traficantes invadiram uma casa, com metralhadoras, pistolas, deram tiros e não tinha refém. Não tinha ninguém no local e mesmo assim as negociações foram para preservar a vida daqueles indivíduos.Enquanto um dos nossos não tem a vida preservada. Toma pra si uma luta muito grande, se revolta com o lockdown com o toque de recolher, fazendo com que o pai de família feche o seu ganha pão, ele dá voz a maioria da tropa que está revoltada, que não concorda com isso. Mas, tem que cumprir ordens e então nós vamos fazer todos os esforços para que os responsáveis compareçam à justiça”, disse o policial ao Acorda Cidade.

Dos Anjos relatou que o soldado Wesley falou durante vários momentos ontem que achava uma desonra para os policiais militares da Bahia atuar prendendo trabalhadores. Ele era contra as medidas restritivas impostas pelo governo e frisou que entrou na polícia para prender bandido e não os trabalhadores.

Para o diretor da Aspra, poderiam ter sido feitos mais esforços pra preservar a vida do PM. O deputado estadual e soldado PM Prisco, estava no local das negociações e na opinião de Dos Anjos, ele também poderia ter participado, intermediando as conversas, assim como poderiam ter sido convocados familiares e colegas de tropa que Wesley tinha afinidade.

“Faltou boa vontade para conduzir a negociação e a nossa revolta é justamente por isso. A família alegou que o soldado nunca tinha apresentado surto, colegas de turma, pessoas da unidade disseram que ele era um cara muito bem quisto pela tropa, muito tranquilo, um policial exemplar e esse foi um momento infelizmente fatídico, mas foi um grito de liberdade, um grito de revolta contra tudo isso. Temos policiais na linha de frente sem serem vacinados, desprestigiados, morrendo a todo momento e o comando não olha para a gente, não representa, não fala pela tropa, fala pelo governo. É punição, perseguição, cobrança e não se dá os meios necessários para que seja feito o serviço que eles pedem”, declarou.

Manifestação em Feira de Santana

O diretor da Aspra informou também que nesta segunda (29), às 9h haverá uma manifestação pacífica da categoria na Avenida Maria Quitéria e podem participar todos aqueles que se sentiram atingidos com a morte do policial Wesley.

“Estamos convocando policiais, bombeiros, cidadãos que se sentiram atingidos. Porque todos nós, a democracia, o estado de direito foi atingido por aqueles tiros, foi um policial, amanhã pode ser outro, como pode ser também um cidadão”, encerrou.

Fonte: Acorda Cidade

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