Pesquisa mostra que 74% das mulheres da segurança pública já foram vítimas de assédio sexual

 

Pesquisa entrevistou 1.897 mulheres da área

O assédio sexual contra mulheres é um assunto que tem crescido nos debates políticos hoje, e não sem motivo: a porcentagem de mulheres que já sofreram algum tipo de assédio provindo de um homem é bastante alta.

E, apesar da passagem dos anos e da latente discussão sobre o assunto, as estatísticas seguem em crescimento. Em 2017, o Datafolha lançou a pesquisa “Assédio sexual entre as mulheres” e registrou que 42% das brasileiras já foram vítimas de alguma forma de assédio sexual, sendo 97% dessas agressões nos transportes públicos.

No entanto, além do transporte, recentemente, outra estatística chamou a atenção das mídias: um levantamento realizado pelo juiz Rodrigo Foureaux e pela juíza federal da Justiça Militar Mariana Aquin, com ajuda de estudantes do curso de direito,  concluiu que 74% das mulheres que trabalham nas Forças Armadas ou em insitituições de segurança pública também já sofreram assédio sexual.

A pesquisa entrevistou 1.897 mulheres da área para expor, em outubro de 2020, durante o evento “Em Pauta” – promovido pela Unidade Nacional de Capacitação do Ministério Público (UNCMP) –, que as medidas de combate ao assédio sexual devem ser incentivadas e aprimoradas para garantir a segurança dessas mulheres. No dia, foram apresentados diversos relatos das vítimas.

O juiz Rodrigo Foureaux destacou também que, antes de iniciar a pesquisa, outros estudos foram investigados: “Nós verificamos outras pesquisas semelhantes, mais antigas, e constatamos que as instituições não estão adotando medidas eficazes de prevenção e combate ao assédio sexual. O que é feito é muito pouco e ainda deixa a desejar”, disse durante o evento.

Outro dado que chama a atenção dentro da pesquisa é a porcentagem de mulheres que não denunciam o assédio: 83%. O motivo varia entre as causas, mas a maior parte das entrevistadas destaca que não seguiu adiante com a denúncia por medo de represálias ou por não acreditar no poder público para punir o agressor. Durante o evento, a juíza Mariana Aquin também apontou que o acolhimento das vítimas se faz muito necessário, principalmente pela área de atuação. “Pelos relatos que coletamos, podemos perceber que a vítima fica muito abalada, e isso compromete a sua saúde mental. É importante que a vítima seja ouvida e acolhida”, afirmou.

Uma área predominantemente masculina

Um fator considerável para a alta taxa de assédio entre as mulheres está diretamente relacionado ao público que compõe os quartéis, por exemplo. A maior parte dos assédios vem de dentro do ambiente de trabalho, o que cria nas mulheres um psicológico ainda mais prejudicado durante o exercício do trabalho.

“Embora as mulheres tenham condições de prestar os mesmos serviços em iguais condições, elas são prejudicadas pela existência do assédio sexual”, comenta Foureaux. Ele também aponta que, muitas vezes, essas mulheres não são nem mesmo vistas como funcionárias ativas de trabalho: “Já ouvimos coisas como ‘as mulheres servem para enfeitar o quartel ou encerar os pátios’”.

Hoje, o combate ao assédio sexual é diário e consta na Constituição Brasileira como crime, com pena de um a dois anos. Ainda assim, há um longo caminho para que as mulheres possam, de fato, denunciar seus agressores.


Fonte: Políciaéviola

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