Feira em História - Notícias de julho de 1959


Nestes primeiros dias de julho a gente vai viajar no tempo lembrando algumas notícias sobre a cidade, vinculadas no jornal Gazeta do Povo que circulou no primeiro sábado também de julho no distante ano de 1959. Fatos que aconteceram há 61 anos. (Adilson Simas).

Como circulava uma vez por semana logo os festejos juninos ainda ocupavam as suas páginas. A grande festa de São João quem fez foi Oscar Marques. Tão disputada que a crônica social do jornal listou algumas das muitas presenças.
Entre elas, Eduardo Mota, Alberto Oliveira, Hugo Navarro, Antídio Matos, Walter Sarkis, Carlos Marques, Juca Dias, Cícero Carvalho, Tito Machado, Francisco Maia, Antonio Barreto, Doute Gonçalves, Renato Santos Silva, Milton Falcão, Avelino Cerqueira, Osvaldo Boaventura, Enádio Morais, Manuel Brito e Armando Lacerda.
“O crime de São José das Itapororocas” foi o titulo da manchete de primeira página. Resumindo a notícia, um menor desapareceu no distrito e a policia deu como sendo do mesmo um corpo em decomposição encontrado nas imediações da “Lagoa da Serra”, na Fazenda Conceição. Tempo depois o menor reapareceu e o jornal no sub-titulo perguntou: E agora, a quem pertence a ossada humana que se encontra na Delegacia Regional?
Também na primeira página os atos que marcaram no dia 3 de julho, o primeiro aniversário de instalação do Banco do Nordeste do Brasil em Feira de Santana.
Naquela época o BNB tinha como gerente Francisco Veloso e como contador Graça Leite. Antes da atual sede própria o banco funcionou na Rua Direita, perto da esquina com o Beco do Mocó e depois no Edifício Medrado, na Rua Marechal Deodoro.
Ganhou destaque decreto do Governador concedendo aposentadoria a professora Sidrônia Jaqueira. Mestra de várias gerações começou como professora adjunta na Escola Maria Quitéria em 1926 no ano seguinte designada para lecionar na Escoa Normal onde foi efetiva em 1933. Quando a aposentadoria chegou lecionava na Escola Normal e no Ginásio Estadual.
O Doutor Geraldo Leite publicou anuncio comunicando aos colegas, amigos e clientes que durante um mês, de 30 de junho a 30 de julho “realizará estágio de laboratório na Capital do país e que nesse período atenderá a todos no seguinte endereço: Revista Brasileira de Medicina, Avenida Almirante Barroso, 90, primeiro andar, Rio de Janeiro”.
Matéria especial foi feita com a Associação Desportiva Bahia que no dia 2 de julho completou 22 anos de existência, fundado que foi em 1937. No dia do aniversário, antes da festa dançante que serviu para empossar a nova diretoria, houve tarde esportiva no Campo dos Casados. Naquele ano, era presidente do Conselho Deliberativo o dentista e desportista Adir Athayde.
O jornal foi a Santo Estevão cobrir o lançamento da Pedra Fundamental do Clube Santo-estevense. A festa foi animada pelo Jazz Copacabana do Feira Tênis Clube e teve como atração a Celina Coelho, rainha do Clube Fantoches de Salvador.
No ato discursam o prefeito Linésio Bastos e o acadêmico de direito Expedito Nascimento. Linésio seria mais tarde também prefeito de Itaberaba e Expedido, já advogado tinha na Rádio Sociedade o programa “Consulte os seus direitos”. Foi assassinado dentro da delegacia aqui em feira.
No espaço destinado a reclamações está esta nota: ”É inadmissível que uma cidade de 60 mil habitantes, a segunda do Estado, esteja, há mais de dois meses, sem um só policiador nas ruas zelando pela segurança pública. Será que os responsáveis por este estado de coisas desconhecem que nesta terra vive um povo que merece mais respeito e consideração?”.
Numa das páginas internas esta notinha: “O prefeito municipal deliberou a execução de calçamento de ruas da cidade e compra de veículo para os serviços da Prefeitura, mas não se esqueceu de mandar abrir concorrência pública, conforme dispositivo da Lei Orgânica dos Municípios”.
A nota termina com este veneno no prefeito anterior; “Recorde-se que a administração passada desdreocupou-se de adotar atitude semelhante”. Apenas para ilustrar, Arnold Silva tinha assumido a prefeito em 7 de abril, substituindo João Marinho Falcão.
Aristeu Queiroz, uma das grandes estrelas do rádio feirense nos anos 50 e 60, assinava a coluna de rádio do jornal. Terminava oferecendo aos leitores, como fazia no microfone, uma das suas composições. Naquela edição ele dedicou a canção “Corta o Coração”. Eis a letra:
Mamãe, papai! / Pra onde esse povo vai, / Pau de arara não!/ Corta o coração!/ É verdade que a seca, / Acaba com o sertão. / É verdade que o nortista, / Sofre muito no verão. / Mas a fibra dessa gente, / Não deve ser maltratada!/ Abandonar seu torrão, / Isso Não! Por nada!/ Pau de arara não! Corta o coração!...

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