Regina Duarte é processada por fazer apologia à ditadura durante entrevista

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CNN - A ex-secretária Especial de Cultura do Governo se tornou alvo do processo, após uma entrevista concedida à CNN. Além dela, o Ministério do Turismo também foi denunciado. A ação é movida por filha de vítima do regime militar.
Lygia Jobim, autora do processo, é filha do embaixador José Jobim, morto durante o regime militar. O documento com 25 páginas traz trechos da entrevista concedida pela então Secretária Especial de Cultura à CNN no dia 7 de maio. Segundo Lygia, Regina teria feito apologia a crimes de tortura praticados na ditadura militar no Brasil.
Confira o trecho do processo em que cita a fala de Regina Duarte:
“Eu acho essa coisa de esquerda e direita tão abaixo do patamar da cultura (....) Agora por que eu estou apoiando o governo Bolsonaro? Porque eu acredito que ele era e continua sendo a melhor opção para o país. E aí você diz assim 'Ah mas ele fez isso, ele fez aquilo', eu não quero ficar olhando para trás, se eu ficar olhando para o retrovisor, eu vou dar trombada. Posso cair num precipício ali na frente. Tem que olhar para frente, tem que ser construtivo, tem que amar o país. O que eu tenho hoje? Eu tenho isso? É com isso que eu vou lidar. Ficar cobrando coisas que aconteceram nos anos 60, 70, 80, gente, ‘vambora’, ‘vambora’ para frente [Regina canta jingle famoso da Copa do Mundo de 1970 “Para frente Brasil”, o qual ficou muito conhecido por representar o período da ditadura militar de 1964]”.
  
A ação civil, de nº 5036236-90.2020.4.02.5101, tramita no Juízo Substituto da 23ª VF do Rio de Janeiro e foi protocolizada, nessa quarta-feira (17/6), pelo escritório Nicodemos & Nederstigt Advogados Associados, no Rio de Janeiro.

A atriz deixou o comando da Secretaria poucos dias depois da entrevista.
Ministério do Turismo
Segundo informações, além da ex-atriz, o processo ainda tem como alvo o Ministério do Turismo. Lygia Jobim pede uma indenização de R$ 70 mil por danos morais, em caráter punitivo e pedagógico; e requer uma retratação pública em jornais de grande circulação por parte de Regina Duarte.
“Não estou ingressando essa ação civil apenas por mim, mas por todas as famílias das vítimas do regime militar. Eu me senti absolutamente indignada e ofendida, ao assistir as declarações de Regina Duarte. Eu não conseguia acreditar que tantos absurdos estavam sendo ditos por uma secretária de Cultura, cujo cargo deveria zelar pelo direito à memória e à verdade deste país. A falta de empatia dela com as vítimas da ditadura e com as do coronavírus é lamentável. Em determinados momentos, ela minimiza as torturas, age com menosprezo e deboche. Esse tipo de discurso tenta demonizar as vítimas. Felizmente, esse não é o pensamento da grande maioria da classe artística”, afirmou Lygia Jobim, autora da ação.

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