Hélio Dórea: recorde mundial no jornalismo



Considerado o principal colunista social do Espírito Santo, o jornalista Hélio Dórea completa, este ano, 65 anos de colunismo diário. Assim que passar o período de isolamento social, imposto pela pandemia do COVID-19, não faltarão motivos para festejar. Trata-se de um recorde mundial batido por esse capixaba (de coração), cujo fôlego é invejável. A família e os amigos já estão se preparando para celebrar, também, os 60 anos de casamento com a bela Regina, que serão completados em dezembro e, em 2021, os 90 anos de idade (no dia 26 de abril).
Hélio Dórea com a esposa Regina e os filhos Miguel, Hélia e Helina.


Nascido em Feira de Santana, na Bahia, Hélio – carinhosamente chamado de “Baiano” pelos amigos – mudou-se para o Espírito Santo aos 21 anos. Foi cursar odontologia. A intenção era voltar para Salvador depois de formado dentista. 

O início no jornalismo foi inesperado. Em 1955, o “Baiano” foi convidado a escrever no jornal O Diário, para substituir um amigo, que havia se mudado para o Rio de Janeiro: “A minha ideia era ficar na coluna até terminar a faculdade de odontologia. Formei-me em dezembro daquele mesmo ano, mas continuei no colunismo social e em Vitória, onde estou até hoje”, lembra-se com o sorriso largo, que lhe é característico.
Da direita pra a esquerda, o colunista Hélio Dórea confraterniza com os jornalistas Hélio Santos, Cacau Monjardim, Marílio Cabral, o imortal Arnaldo Niskier e Ronaldo Nascimento.

A atuação de Hélio Dórea no jornalismo capixaba foi determinante para a história da imprensa local. Em 1961, passou a fazer parte do jornal A Gazeta, onde permaneceu até 2003. Foram 41 anos ininterruptos num só jornal, um recorde nacional. 

Dórea foi um dos fundadores do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado. Criado oficialmente em 1979, o embrião da entidade começou a ser gestado por volta de 1955. Visionário, foi também o criador do primeiro suplemento de jornal, no Espírito Santo: “Criei o caderno O Semanário, publicado todo domingo, no jornal A Gazeta. A intenção era fazer a integração do colunismo social de Vitória com o do interior do Estado. Trazíamos também notícias de Guarapari, Cachoeiro, Colatina, Conceição da Barra, São Mateus, Linhares e Barra de São Francisco”, relata com orgulho.
O casal Hélio e Regina Dórea com o ex-presidente Juscelino Kubitschek, em foto dos anos 1970.

O colunista foi também diretor da revista Capixaba, na década de 1960, e, durante o governo Christiano Dias Lopes Filho, de 1967 a 1971, exerceu o cargo de chefe do Cerimonial do Palácio Anchieta. 

Além de ser o colunista social há mais tempo em atividade no mundo, sua colaboração foi fundamental para a criação do curso de Comunicação Social na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em 1975: “O curso de Comunicação da UFES foi criado a partir de uma campanha que eu organizei. Na época, não havia jornalista diplomado em Vitória. Todos eram autodidatas”, afirma. 

O maior símbolo do colunismo social capixaba destaca-se, também, pela atuação que sempre exerceu em prol das atividades culturais no Espírito Santo. Foi ele quem ajudou a captar recursos, entre outros, para a reabertura do “Museu Solar Monjardim”. O casarão, tombado pelo Patrimônio Histórico em 1940, após obras de recuperação, foi requalificado e renomeado pela então Fundação Nacional Pró-Memória, em 1980. 

O intercâmbio da sociedade capixaba com a nata social, política e cultural do país acompanha as prioridades do jornalista. Entre outras promoções de destaque, lembra o Baile Oficial das Debutantes do Brasil: “Todo ano, o hotel Copacabana Palace promovia esse baile, de projeção nacional. Era eu quem elegia as jovens capixabas para debutar”, orgulha-se. 

Autor do livro Gente Bacana, lançado em 2010, o colunista vendeu mais de mil exemplares no dia do lançamento. Na ocasião, em que comemorava os 55 anos de jornalismo, o governador Paulo Hartung declarou: “Hélio Dórea sempre utilizou o espaço da sua coluna para fazer o bom jornalismo, destacando as boas iniciativas do Espírito Santo, com notas de boa qualidade e em primeira mão.” 

A história do jornal Folha Vitória, o primeiro on-line do Espírito Santo, também não pode ser contada sem a presença de Hélio Dórea. Sua coluna está no ar desde a criação da plataforma, no dia 10 de maio de 2007: “Tive a honra de ser convidado pelo Fernando Machado (diretor-geral da Rede Vitória) e pelo Américo Buaiz Filho (presidente do Grupo Buaiz) a participar dessa equipe e aceitei na hora”, destacou com o mesmo otimismo e alegria que nortearam toda a sua vida, levando-o a não temer o desafio imposto pelo jornalismo digital. A aposta foi, mais uma vez, acertada: com 13 anos, o jornal on-line Folha Vitória atingiu a marca de mais de 30 milhões de páginas vistas. 

Tanto talento fez do colunista um recordista, igualmente, em títulos de cidadania. Só no Espírito Santo, são mais de 40. Há 59 anos casado com Regina Brotto Dórea, Hélio é pai de três filhos (Miguel, Hélia e Helina), avô de 11 netos e bisavô de um bisneto. Como se pode perceber pela trajetória de conquistas, esse baiano “bacana” (adjetivo mais usado em sua coluna) é um colecionador de “vitórias”.

Por Manoela Ferrari


Fonte: Jornal de Letras

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