Tamanho de petição é documento?


O presente texto será breve a fim de fazer jus ao tema. Trago a tona apenas algumas reflexões, de forma amistosa e cordial.

Vivemos tempos difíceis em que é extremamente necessário discutir as mudanças e questões jurídicas postas à mesa, mas além disso é preciso humildade e empatia para lidar com o fato de que toda nossa profissão enfrenta uma crise existencial de modificações, nos levando a reflexões mais profundas.
Terminei o curso de Direito no final do ano passado, de modo que sou advogada há pouco mais de 1 mês. Adentrar em uma carreira tão estimulante como a advocacia está sendo um grande desafio, porém bastante enriquecedor. Sempre almejei o objetivo final de minhas duas graduações (Direito e Jornalismo) não pela simples estética social de ser Jornalista e Advogada, mas sim pelas funções que essas duas atividades, a meu ver, complementares, exercem de forma significativa.
Ser comunicadora e advogada é ter uma grande responsabilidade social: isso se torna evidente quando vemos a existência de várias comissões, como na OAB/AL, cada qual defendendo seus ideais: seja ele a causa animal, em prol das mulheres, dos direitos humanos, não importa. O fato é que ser advogado é muito mais que peticionar e comparecer às audiências; é, pois bem, exercer um cargo de autoridade e se posicionar em face das injustiças.
Como jovem advogada que sou, não só pela tenra idade, como pelo recente ingresso na carreira, bem sei o quão importante é ter um norte do que fazer ao começar. Qual seria o próximo passo? Investir numa pós, mestrado, fazer parte de grupos, manter contatos? As opções estão na mesa. Aprendemos com as experiências e é necessário se virar nos 30 enquanto a vida segue.
Durante o curso tive a oportunidade de estagiar em alguns órgãos públicos, de modo que acompanhar de perto os processos fazia parte da minha realidade. Sempre fazia questão de ler por inteiro todas as petições iniciais, peça que dava início a toda lide e discussão jurídica. Agia de Direito, ainda que no meu próprio, e analisava o ponto de vista daquele advogado ferrenhamente. Hoje em dia a situação ocorre de forma diversa. Eu sou a advogada e quem deve escrever e peticionar sou eu. E haja trabalho!
Não é desconhecida a quantidade de modelos prontos que existem por aí na web, mas se levarmos a fundo esse eterno "copiar e colar" estaremos para sempre presos numa quinta série. O mercado está saturado, é fato, e muitos de nós não tem tempo (nem dinheiro!) a perder. Todavia, acredito que entender a fundo as reivindicações do seu cliente, se revestir de ânsia e pôr em prática a razão de ser daquela ação é muito mais valioso do que achar a fundamentação pronta para aquele caso.
Só a título de exemplo, meu Kindle é recheado de Rui Barbosa, Rousseau, Santo Agostinho. Prezo pela base. Tecnicismo auxilia, mas a meu ver o melhor mesmo é aprender a pensar.
Miguel Reale. Lições Preliminares de Direito. 1991.
De que adianta protocolar uma petição de 30 páginas se a essência, de forma simples, não está presente? Contendo apenas recortes bem escritos por outrens ou citações das muitas com o intuito egoico de rechear. Cabe, principalmente no início da trilha, a máxima de que simplicidade is the key: não adianta querer ser algo que não é ou tentar dominar algo que ainda não domina. O tiro pode sair pela culatra.
Aprendi cedo que menos é mais. Antigamente acreditava que escrever de forma rebuscada, lotada de "parnasianismo intelectual", impunha respeito. Hoje bem sei que ser compreendida é muito mais importante, assim como Paulo Coelho que traz em suas obras uma simplicidade excêntrica e singular. A nova advocacia tem oportunidade de fazer diferente. Não é pelo tamanho, é pela qualidade do feito. Isso ajuda na celeridade processual e na quebra dos (muitos!) tabus existentes na advocacia.
Valorizar nosso tempo, trabalho e respeitar o trabalho dos outros faz com que nossa profissão se destaque positivamente, de modo que cobrar por aquilo que verdadeiramente fazemos e cumprimos, sem deslealdade, é nosso Direito irrenunciável.
REFERÊNCIAS
REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. 1991. Editora Saraiva.

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