Seu cliente não é seu amigo

Dicas para estabelecer relações profissionais saudáveis e produtivas


Já te ocorreu de responder um cliente em horário de almoço ou no fim de semana e, dali em diante, ele passar a manter contato apenas em tais ocasiões? É um inconveniente e tanto, não?

Você já rezou por um cliente ou chorou escondido (a) sensibilizado (a) com alguma situação? Nessas horas, como parece difícil separar as coisas!
Sobretudo no início da carreira, é bastante complicado estabelecer limites nas relações profissionais. Estamos ávidos por responder às demandas, conquistar novos clientes, consolidar nosso nome no mercado. Cada mensagem ou telefonema profissional recebido soa como um chamado inadiável ao qual o jovem advogado (a) precisa atender.
Felizmente, o hábito faz o monge e, no meio do caminho, percebemos que não é bem assim que as coisas devem funcionar. Se você está nessa situação e precisa aprender a lidar com ela, deixo aqui algumas dicas:
1- Cordialidade não é afeto: é óbvio que você deve tratar com educação e empatia todos os clientes; é bastante desagradável ser tratado com desdém por um profissional no qual se confia. Entretanto, você não precisa afeiçoar-se a eles. Se puder oferecer auxílio material ou emocional em momentos difíceis, faça, mas nunca convide um cliente para o churrasco de domingo ou para o aniversário do seu filho (a).
2- Esteja sempre disposto e nem sempre disponível: a sua responsabilidade é resolver problemas jurídicos e não funcionar como central de telemarketing 24h. Responda às dúvidas pertinentes aos processos no seu tempo; nunca permita que esses questionamentos te sufoquem e nem se envolva em questões alheias ao caso. Comprometa-se com aquilo que foi contratado.
3- Você também tem problemas: pessoais, profissionais, financeiros... você, além de advogado (a), é uma pessoa. De que adianta resolver a vida de todos os seus clientes e descuidar da sua? Separe um tempo ou mesmo um dia da semana para dedicar-se às coisas que te mantém em um bom estado intelectual, emocional e físico. Esteja sempre atento às próprias necessidades.
4- Não ceda a chantagens: é muito comum encontrar, no início da vida profissional, clientes que querem te sugar o máximo de informações possíveis antes do ajuizamento da ação e depois simplesmente somem ou querem "renegociar" o preço do seu trabalho. Eu mesma já ouvi diversas vezes que "Dr. XXX faz mais barato". Não prostitua seu conhecimento e dedicação em nome de chantagens baratas.
5- Se o cliente extrapola os limites, cabe a você relembrá-los: se uma determinada situação se torna desconfortável ou incômoda no trato com um cliente, exponha-a de forma clara e concisa. Esclareça o que é (ou não) da sua alçada e retome as rédeas da relação, antes que seja impossível fazê-lo. Algumas coisas só acontecem se você permite.
6- Seu cliente não é seu amigo: não, ele não vai ser compreensivo e nem ouvir seus problemas, pois te contratou exatamente para resolver os problemas dele. É um dado cruel, mas inescusável. Você precisa aprender a lidar com isso.
Se chegou até aqui e se identificou com muita ou alguma coisa, deixe sua contribuição ao debate nos comentários. Espero ter ajudado.

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