temas jurídicos

O dente de leite, a fada do dente e o advogado: a determinação que nos move.

OBS. Este não é um artigo jurídico. É um artigo para reflexão sobre a profissão.


Eu já escrevi em outros artigos um pouco sobre minha vida pessoal. Já mencionei que tenho dois filhos. Um casal. A diferença de idade deles é grande, 11 anos. Então, enquanto o mais velho tem 16 anos, a mais nova tem 5 anos. São bem diferentes um do outro em termos de personalidade.

Uma experiência diferente e notável foi o primeiro dente de leite. O mais velho levou a experiência como algo normal à época. Meninas, no entanto, tem mais tendência a assistir desenhos de fadas e princesas. Não faz muito tempo que ela assistiu a animação “A origem dos guardiões”. Acredito que ficou com a Fada do Dente na cabecinha dela e a perda do primeiro dentinho se tornou algo mágico.
Quando começou a ficar mole já ficou preocupada com a fadinha. No sábado, 16/05/2020, ela ficou incomodada com o dente, queria arrancar. É uma criança agitada, como muitas, é ansiosa e... determinada!
Isso me deu a ideia para o artigo. A determinação dela.
Eu tenho traumas da infância quando o assunto é arrancar o dente. Meu pai era daqueles que tirava com um lenço ou amarrava a linha e puxava sem dó. Não gosto nem de pensar.
Eu contei para ela minha experiência, que eu não gostava e não queria ver. Bem... ela é daquela que faz o oposto para te provocar, então ficou “olha o meu dente saindo, mamanhêee.. olha aqui o sanguinho” hahahaha... Essas crianças de hoje!
Eu levei na brincadeira, rindo e me escondendo, falando que era melhor ir ao dentista. Ela gargalhava. Minha intenção como mãe aqui era não deixar ela assustada com meu próprio trauma, mas fazer disso uma experiência normal, já que irá acontecer novamente.
Ela, então, determinada a ver minha reação, resolveu que queria de qualquer jeito tirar o dente. Pegou uma fraldinha e tentou tirar. Sozinha. Não conseguiu. Pediu a linha para o papai (eu fiquei longe, é claro). Decidida que é, amarrou a linha e puxou, uma só vez. Pronto. Adeus, dentinho. Sem choro e sem susto, feliz da vida pela conquista. Feliz por ter sido mais corajosa que a mamãe e realizado algo que, para mim, parecia assustador, mas para ela foi uma experiência tranquila. Uma vitória!
Agora ela queria a tal Fada do Dente da animação que mencionei. “O que será que ela vai me dar, mamãe? Tomara que seja um pirulito GIIIGAAANTEEE”. Escreveu cartinha e tudo.
Providenciamos alguma coisa para que ela não se frustrasse. Também teve resposta da suposta fada. Às 6 horas da manhã em pleno domingo, lá estava ela ao pé da cama exultante de alegria como uma alguém que achou um tesouro (o pirulito, no caso). “Eu sabia que ela existia!”.
Nas entrelinhas do adulto: “eu sabia que não me decepcionaria”.
O que minha história tem a ver com advocacia?
Tudo.
Embora sabemos que contos de fadas não existem, sabemos perfeitamente que a determinação é real.
Ela é capaz de nos levar ao sucesso, de conquistar sonhos, não só nossos, mas de nossos clientes.
Se não acreditamos na causa que defendemos, no produto que vendemos, como podemos ter a determinação necessária para convencer o outro de que podemos vencer? Ou de que podemos ter a recompensa pelo nosso esforço?
Faremos um paralelo.
Imaginemos que a criança é o jovem advogado. Não tem experiência, mas tem referências. Tem a curiosidade, animosidade e a determinação.
Se sua principal referência o frustra de alguma forma, a determinação tende a cair, mas também é insistente, como uma criança, irá buscar outra fonte, outros desafios, outras vitórias. É incansável, é determinado.
Diferente de uma criança que buscará outras formas de desafiar sua principal referência, profissionalmente podemos buscar uma nova referência, uma nova fonte de inspiração, aliado a novos desafios, novas vitórias, até finalmente, encontrar o seu caminho (se tornar um adulto na profissão) e seguir nele, sendo a própria referência de outros novos profissionais.
Esta é a mágica do Direito. Tantos ramos de atuação, tantas referências e tantos desafios!
Tudo leva a uma só questão: a determinação.
Se pesquisar no dicionário vai ver que o significado da palavra é a persistência para conseguir o que se deseja, é firmeza.
Apesar da situação que estamos vivendo atualmente o importante é seguir lutando, persistindo por seus ideais para conseguir atingir o objetivo, mesmo que ele demore mais para ser alcançado.
No momento, é preciso ter firmeza, mudar velhos hábitos, se preciso, (como arrancar o dente à moda antiga - hahaha) e aceitar novas formas (ir ao dentista e retirar com anestesia).
Não que o velho modo não funcione, é que ele pode ser mais sofrido, enquanto novas formas podem ter resultados mais rápidos e menos doloroso.
É acreditar na “fada do dente”, isto é, na expectativa de que se fizer tudo certo, seu pedido será atendido.
É acreditar no seu potencial e viver a magia deste mundo jurídico que está sempre se modificando, forçando-nos a nos adaptar a novas formas.

Como mencionei no início do texto, não é um artigo jurídico, mas sei que muitos colegas tem desanimado na caminhada e, às vezes, só precisamos de uma mensagem positiva para que a chama da determinação volte a queimar.

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