“As empregadas estão perdendo direitos e arriscando a vida”, diz liderança das empregadas domésticas


247 - A presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), Luiza Batista, falou sobre a situação precária de trabalho das empregadas domésticas em tempos de pandemia de coronavírus. Ela participou de um debate sobre as conquistas e a perda de direitos das trabalhadoras domésticas na TV 247 com a presença da ex-presidente Dilma Rousseff, a deputada federal Benedita da Silva e a artista e educadora Preta Rara.
 

Luiza chamou atenção para o fato de que muitos empregadores não dão condições para que as empregadas façam quarentena e, portanto, colocam essas pessoas em risco. O Dia Nacional da Empregada Doméstica, em 27 de abril, este ano é lembrado em meio à maior crise para essas trabalhadoras, em sua maioria mulheres negras. 
A presidente da Fenatrad ressaltou que o coronavírus foi trazido ao Brasil pela classe média que, em caso de necessidade de tratamento, tem recursos para obter cuidados médicos, diferentemente das empregadas domésticas. “A trabalhadora doméstica no Rio de Janeiro se contaminou com os empregadores que voltaram de viagem da Europa. Eles chegaram contaminados, tiveram condições de pagar o teste, de ter repouso, de se cuidar e estão curados. Ela, de 63, no grupo de risco, o que aconteceu? No dia seguinte ela estava morta, e isso está acontecendo. O vírus não entrou no Brasil por pessoas que ganham menos de 3 salários mínimos, o vírus entrou no Brasil por pessoas de classe média, classe média alta que fizeram viagens internacionais e que também não tiveram culpa, porque ninguém poderia imaginar que estava convivendo com esse inimigo invisível”.
A ex-empregada doméstica disse que a categoria está perdendo direitos, grande parte deles conquistados por meio da promulgação da PEC das Empregadas Domésticas no dia 2 de abril de 2013, e arriscando a vida. “Essas pessoas estão tendo chance de se cuidar, de se apoiar, de fazer uma quarentena, mas muitas pessoas estão fazendo quarentena mas não dispensam a trabalhadora doméstica, e aí ela está perdendo direitos e arriscando a vida. A luta é grande, a gente sabe que nada é feito em um dia, nossa luta já tem mais de 80 anos. Tivemos conquistas, mas desde que houve esse golpe na democracia, no governo da presidente Dilma, a gente só tem colecionado retrocessos. Não sei onde é que nós vamos parar”.

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