temas jurídicos

Pequenos advogados, Grandes Escritórios


Estava lendo um texto sobre criptomoedas e penso que ele se encaixa com algumas de minhas ideias. Daí resolvi reescrevê-lo, mas voltado para a advocacia.


No meio da advocacia há a máxima que diz: “Advogar é fácil, difícil é manter-se na advocacia”.
No momento em que escrevo esse artigo, tem pouco mais de um ano e seis meses que consegui minha carteira da OAB. Depois disso investi em uma pós-graduação, em alguns cursos/workshops e em um empreendimento – sou sócio de uma Câmara Privada de Mediação e Arbitragem.
Eu defendo bastante a advocacia em rede, as parcerias. Mas quando falo em parceria eu me refiro a algo além do trivial “indica-indica”.
Desde o início, vez por outra alguém pública um artigo ou um comentário dizendo que “qualquer um” pode criar uma parceria.
A princípio não há como negar tal afirmação, embora em alguns casos esse argumento seja como um cavalo de Tróia, contendo lá no fundo a intenção de depreciar os esforços dos envolvidos.
Sabe aquela pessoa que “não faz nada” e quando observa alguém tentando fazer já vai logo dizendo que “não vai funcionar”, sem motivar sua “análise” e nem apontar soluções?
Junte a isso a exploração do jovem advogado – mesmo dos mais antigos – com propostas de honorários aviltantes e teremos um cenário perfeito de “guerra” onde há mais feridos e mortos que vencedores.
Quer aceite esse fato ou não, boa parte dos advogados ainda considera seu colega, que abriu um escritório bem na frente do seu, como um concorrente.
Mas não vamos falar aqui de dificuldades. Vamos destacar um problema e propor saídas.
Um dos atores que tem ganhado força nesse oceano vermelho que é a advocacia simples é o advogado de nicho. Aquele que escolhe um sub-ramo específico do direito para especializar-se.
Um dos principais pontos de expansão da advocacia de nicho é a cooperação entre advogados de nicho.
Cada advogado de nicho isoladamente ainda tem carteira de clientes irregular ou pequena. Grandes escritórios, ainda que não especializados em nichos, sufocam os pequenos advogados.
Tenho observado uma migração de grandes escritórios de capitais para o interior. O que esses escritórios, atuantes em diversas grandes capitais estão querendo fazer em locais afastados? Sufocar os pequenos advogados do interior? Pagar honorários aviltantes? Contratar advoescravos?
Qual uma possível solução para isso? PARCERIA.
Partindo da premissa, ainda que não comprovada, de que tais grandes escritórios precisam de receita no local onde se estabelecem e “mão de obra barata” para continuar ali atuando, podemos nos guiar por outros modelos de negócio para tentar balancear as forças.
Nos acordos comerciais entre blocos econômicos os players se juntam e criam condições mínimas nas quais todos eles devem se basear. Quaisquer entidades externas não conseguirão negociar com nenhum desses caso não aceite aquelas condições mínimas.
No caso concreto dos grandes escritórios essas condições mínimas poderiam incluir, por exemplo, honorários mínimos de acordo com a tabela da OAB, não concorrência, não litigância, salário-base digno, plano de carreira, entre outras.
Já vimos que parceria intelectual, em tese, não é regida pela CLT, bastando um documento assinado pelos membros se comprometendo a seguir as diretrizes do acordo.
Isso pode contribuir para a construção de uma organização de advogados atuantes em diversas partes do país que não aceitam honorários aviltantes e cooperam entre si para o aumento de receita e fortalecimento da Rede.
Se você leu até aqui e acha que essa ideia pode funcionar, ajude a divulgar conversando com seus colegas e comentando nos canais que acompanha.
Se você quer contribuir para a concretização dessa proposta, poste seu comentário aqui ou entre em contato pelo e-mail contato@eleniltonfreitas.adv.br
“Those who stand for nothing fall for anything”

Veja também:

SOBRE Santiago Live

0 comentários:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.