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Feira em História: O Cassino Irajá


Muito se tem falado sobre a existência nesta cidade do Cassino Irajá, uma casa noturna concebida pelo saudoso Oscar Marques, o “Oscar Tabaréu”. Em 1984 o dublê de publicitário e jornalista José Carlos Pedreira, o Zé Coió [foto abaixo], após entrevistar Oscar Marques publicou na então Revista Hoje os sete anos que marcaram a existência do famoso cassino. Vale a pena ler de novo (Adilson Simas).

No início da década de 40, chegava a Feira de Santana, vindo de um pequeno lugarejo, chamado Anguera um rapazinho. Era Oscar Marques que foi estudar no colégio do professor Leonídio Rocha. No curso que frequentava existiam mais quatro garotos com o nome de Oscar, e ele, por ter vindo de vilarejo e ser muito acanhado, foi logo batizado com o apelido de “Oscar Tabaréu”, nome pelo qual ficou conhecido e chamado por toda a vida.
Além de estudar, Oscar passou a trabalhar no armazém de secos e molhados de propriedade de seu irmão Alto Marques. Pouco tempo depois já acostumado a uma cidade em franco desenvolvimento, Oscar Tabaréu iniciou sua vida de comerciante. Abriu a famosa Sorveteria Riviera, na Rua Direita, e mais tarde o Hotel Universo, onde hoje está localizado o Centro Comercial Mandacaru. 
Feira de Santana crescia muito, pois ficava num dos principais entroncamentos rodoviários do país, constituindo-se em ponto de parada para todos os viajantes em trânsito na região. Com a  instalação de uma Companhia do Exército a cidade cresceu mais ainda e ressentia-se da necessidade de uma grande noturna para o deleite dos visitantes e dos próprios moradores da terra.
O Brasil tinha, naquela época muitos cassinos e Feira haveria de ter o seu. Em 1942 um amigo de Oscar, José Berbet Tavares foi nomeado prefeito e sentindo também o progresso da cidade, prometeu a Oscar que Feira teria um cassino nos mesmos moldes dos que existiam em Salvador, onde o Tabarís e o Palace Hotel eram as mais famosas casas das noites baianas. 
Oscar Tabaréu [foto acima] adquiriu uma área na praça dos Remédios e em 1943 inaugurava o Cassino Irajá. Funcionaria com roletas, bacará, jogos diversos e show. Em 45, o novo presidente da República, Eurico Gaspar Dutra decretou o fim do jogo no Brasil.
O Cassino Irajá sofreu as consequências, da mesma forma como sofreram os cassinos famosos da época: Tabaris, em Salvador; Quitandinha, em Petrópolis; Atlântico e Cassino da Urca, no Rio e outros. Proibido o jogo, Oscar transformou o Irajá numa casa exclusivamente para shows. Vieram então as grandes orquestras, inclusive internacionais, e muitas atrações artísticas.
Ai, começou realmente a fase áurea do Cassino Irajá, uma casa noturna alinhadíssima, com homens engravatados e bem trajados, mulheres bonitas vindas de todas as partes do país, e os grandes espetáculos, tais como os balés de Evandro Castro Lima e Sérgio Maia, o grande cantor argentino Fernando Borel, o caboclinho Sílvio Caldas, Orlando Silva, Nelson Gonçalves, a famosa Marilu, as orquestras do Cassino de Sevilha e Frevos de Pernambuco, além da orquestra da casa com 17 figurantes.
O Cassino Irajá possuía ainda outra orquestra, composta de violinos, contra-baixos, piano e acordeon, que tocava nos intervalos. A orquestra era dirigida pelo maestro Leonel Brito e possuía músicos excelentes: Miro, Davi, Elias, Aloisio, etc. De lá saíram músicos que foram brilhar em orquestras de sucesso no sul do país, tais como Aurino e Maneca.
Emocionado Oscar conta: “O Cassino Irajá foi a grande escola da época. Lá os homens aprendiam a dançar, a se comportar bem perante uma dama (curvar-se, buscá-la e levá-la de volta à mesa), além de procurarem sempre se  vestir bem, com o chic da época”.
E as mulheres Oscar?
- Sempre lindas, educadas e bem vestidas, pintadas e prontas para as maravilhosas noitadas. Moravam em apartamentos do próprio cassino ou em hotéis da cidade. O Irajá as importava de todas as partes e as que ficaram famosas foram: Isaurinha, Ortência, Darke, China, Madalena, Elenita e muitas outras que dançavam boleros  e valsas”.
Sobre a clientela, com sinais de saudades “Um lugar de muito respeito e com a presença da nata da cidade. Inclusive chegamos a ter, numa mesma noite, gente de três gerações, de uma só família, como foi o caso de Aníbal, Zezé  e Zelito Tavares, avô, pai e filho que iam assistir aos grandes shows. Outros exemplos: Aurinho e  Juca, Oscar Erudilho e Carlito, Manuel e Carlos Marques.
Nós tínhamos também grandes habituês, ou seja figuras que frequentavam assiduamente o Irajá. Por exemplo, Dudinha, cantor e exímio dançarino de tango; Humberto Alencar, deputado, boêmio, ótimo papo e grande amigo; Oscar Erudilho, Aurinho, Donga Falcão, Doutor Brito sempre presente com sua simpatia e alegria, Jorge Leal que era o delegado regional da época, a turma do “Clube dos 13”, formada por Colbert, Loló, Adroaldo, Zé Codorna, Afobado Branco, Osvaldo Torres, Seu Bal, Negão Jackson, Ulisses Graça, Zezito Torres, Dorinha e outros; toda oficialidade do Exército e outros homens importantes da Cidade.
E todo esse verdadeiro “sonho dourado” durou sete anos, período em que as melhores  orquestras e balés do país vieram se exibir no Cassino Irajá, que também proporcionou meios para que todos os shows pudessem ser igualmente apresentados no Feira Tênis Clube e no Cinema Iris, locais onde as senhoras e senhoritas da sociedade assistiam aos espetáculos (Adilson Simas). 

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