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Em um mar de tubarões, seja o golfinho


Quer trabalhe em escritório como sócio ou colaborador, quer trabalhe em casa, todo advogado em início de carreira deseja destacar-se. Destacar-se, porém, em um mar de advogados que recebe a carteira da OAB a cada ano não é tarefa fácil.

No profundo mar do direito há o tubarão; geralmente agressivo, ainda que não provocado. Ele acredita que nem sempre o mar está para peixe e que pode haver alguma escassez. Mas se houver, que seja para os outros, não para ele. Conhecido como “rei do mar”, ele mete medo só com sua presença.
Nessa imensidão aquática habita o golfinho. De natureza dócil e tido como o mais inteligente ser do mar, sabe revidar quando atacado. Seu trunfo é o ataque em grupo e muito embora não tenha os dentes pontiagudos do tubarão, com as frequentes marteladas do seu focinho e a ajuda de seus colegas ele consegue neutralizar o mortal esqualo.
Também existe a carpa. Dócil e passiva, incapaz de lutar mesmo quando agredida. Vítima, conformada com seu destino, a carpa geralmente se sacrifica para que o sofrimento acabe.
Essa metáfora, adaptada do livro "A Estratégia do Golfinho - A Conquista de Vitórias num Mundo Caótico", quando aplicada aos atores do direito nos mostra que existem três tipos de profissionais:
Os que buscam a vitória, não importam as consequências – o tubarão;
Os que evitam a perda a todo o custo – a carpa;
Os que buscam algo diferente, com suas perdas e ganhos – o golfinho.
Há algum tempo escrevi esse artigo convocando os novos advogados para uma parceria. A ideia era justamente amadurecer esse laço para então poder firmar a parceria de forma mais efetiva.
Afinal, uma parceria para ser duradoura deve estar ancorada principalmente na confiança e ela só é possível obter com o tempo. Assim poderá escapar de qualquer “Pedro Pilantra” e evitar problemas para sua imagem profissional.
As experiências advindas da parceira proposta foram interessantes para o nível em que se encontravam, embora algumas delas nem chegaram a fumegar. Já em outras foi possível estabelecer um certo grau de relacionamento e continuam até hoje.
Mas, por que parceria? Se deseja sobreviver no mar de tubarões precisará firmar parcerias. Não quero dizer com isso que você deva estar contra os tubarões, não é isso. Afinal, uma parceria também pode ser feita com eles.
De que forma? Quem está em início de carreira geralmente tem aquilo que os tubarões não tem: tempo. Por sua vez, os tubarões tem aquilo que você não tem: demanda.
E como um tubarão vai te achar? Você precisa destacar-se.
Dica: advogados também indicam (ou “desindicam”) advogados. Então trabalhe no processo como se ele fosse seu. Não caia de paraquedas na audiência sem ler uma linha do processo, pois o cliente vai perceber e passar para o advogado principal.
Ainda que não tenha um tubarão para chamar de seu, você pode firmar parcerias com outros golfinhos. Não trato aqui de meras e impessoais parceiras que consistem apenas em indicações mútuas, nem as propostas no meu artigo anterior, mas de uma relação mais próxima.
Como dito em outra ocasião, a soma da parceria deve ser 2+2=5. Você precisa contribuir para tornar o negócio do seu parceiro melhor e vice-versa para que a parceria saia do “comum”.
Os parceiros devem estar agregados a uma “marca” e ambos devem discutir problemas e soluções para suas próprias atuações no mar jurídico.
Por exemplo, um grupo de advogados em vários estados do Brasil decide firmar uma parceria – criar uma rede.
Esta rede se chamará “Salles, Udovic, Ignácio, Tedesco & Santori Advogados Associados”.
Mas espere aí! Isso não é uma Sociedade de Advogados?
Não! Isto é uma rede de advogados.
Pois bem, eles registram um contrato de parceria intelectual em cartório, estabelecendo que cada escritório-fundador deverá conter em sua fachada o letreiro “Salles, Udovic, Ignácio, Tedesco & Santori Advogados Associados”.
Mas espere aí! Eu estou admitindo esses interessados como sócios no meu escritório? Terei que dividir meus ganhos pessoais com os demais? Não! Você continua com suas ações pessoais. Ter o nome na fachada automaticamente não dá direito a ter parte nos ganhos, sem que isso esteja firmado.
O que eu ganho com isso? Destaque. Seu escritório faz parte de uma rede em diversos locais do país, se assemelhando a uma grande banca. Você ganha também parceiros dispostos a trocar conhecimentos e experiências.
Cada escritório continua mantendo sua individualidade, não há riscos de responsabilidades por eventuais erros de colegas e mesmo assim, cada escritório teria parceiros em outros Estados sem a necessidade de estruturarem filiais.
Certa vez assisti um vídeo em que um juiz dizia aos jovens advogados para convidar outros jovens advogados a participar de alguma audiência, apenas como ouvintes. Daí vocês tiram foto na frente do Tribunal e chegam lá parecendo “Suits”, parecendo uma grande banca.
É por aí.
“Salles, Udovic, Ignácio, Tedesco & Santori Advogados Associados” vai dividir os custos com a criação e manutenção do site, confecção de impressos padrão, software jurídico – tudo delimitado no contrato.
Mas se eu não sou escritório-fundador ou nem tenho escritório, como eu posso participar da Rede?
Para ter seu nome escrito na fachada de toda a rede terá que contribuir monetariamente com os custos da modificação.
Você pagaria para ter seu nome (sobrenome) na fachada de escritórios renomados em vários cantos do Brasil – quem sabe do mundo?
Eu pagaria!
Poderia também haver a possibilidade de não ter seu nome na fachada, mas fazer parte desta grande Rede assim mesmo.
Talvez sendo o correspondente oficial de todos os clientes que a Rede tiver na sua cidade e/ou representar a Rede em uma área de atuação em que você não tem habilidades.
Talvez você possa fornecer conteúdo profissional para a Rede e ser remunerado por isso – petições, artigos, vídeos, etc.
Quem sabe a Rede possa criar programas para estruturar escritórios de jovens advogados, quer arcando com o aluguel ou fornecendo uma ajuda de custo para a montagem do escritório, com o devido retorno para a Rede. Chame de “FIES do advogado” ou “bolsa escritório”.
Lembre-se: a Rede, como os golfinhos, se protege. Um grupo de golfinhos sempre estará pronto para defender-se de tubarões ou mesmo proteger as carpas.
Claro que o exposto acima é uma ideia superficial do que poderia ser feito de modo estratégico para alavancar a carreira de todos os atores envolvidos. Mas nada impede que ela seja aprimorada e colocada em prática.
O importante é a atuação em conjunto devidamente formalizada em torno de algo concreto.
Em um mar de tubarões você precisa sair do “comum”, da mesmice, inovar, empreender, formando uma rede concreta de parceira com outros golfinhos.
Você pode escolher ser devorado por um turbarão, ser um golfinho ou viver como uma carpa. Eu escolhi ser um golfinho - e tenho trabalhado para isso. E você, o que escolheu?

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