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É possível ter estabilidade na Advocacia?


Atualmente muito se fala nos riscos assumidos pelo Advogado privado e na desejada estabilidade advinda dos concursos públicos. A discussão gira em torno da possibilidade de alcançar a tão sonhada estabilidade na advocacia e quais seriam os caminhos que levariam a este resultado.

Será que a advocacia privada é, por natureza, incerta? A meu sentir a resposta é não. Permita elencar algumas das razões que me fizeram concluir dessa forma. Entendo que, não só é possível ter estabilidade na Advocacia, como também é natural que isso ocorra, se o profissional entender as ferramentas indispensáveis à tal propósito, e as usar de forma adequada.
De logo registre-se que na advocacia privada não há teto financeiro mensal. No entanto, é plenamente possível ter base financeira mínima de faturamento, utilizando para tanto, de diversas estratégias. A primeira estratégia versa sobre planejamento financeiro, técnica inexistente nas grades curriculares das faculdades de direito.
Afinal, você já se perguntou, honestamente, quanto pretende ganhar ao final de cada mês, advogando? É curioso como um rol significante de pessoas conseguem afirmar, categoricamente, o quão é impossível adquirir estabilidade financeira na advocacia privada, sem ao menos estabelecer metas a serem alcançadas no final do mês.
Toda essa convicção utópica tem como base a nítida realidade que acompanha todo advogado autônomo: trata-se de profissional sem remuneração fixa, independente da carga horária de trabalho. Neste cenário, teoricamente, não haveria como prever o faturamento.
Nada obstante, retornando à primeira estratégia, o planejamento é essencial, pois o Advogado é uma empresa, e sendo uma empresa, deve agir como tal, observando os cuidados inerentes à sua realidade. E como sabemos, toda empresa de sucesso tem um planejamento sólido, o qual norteia suas ações.
O advogado, como empresa, deve se conscientizar da necessidade de planejamento, seguido de instrumentalização com intuito de entender o campo de atuação, e buscar a realização de suas metas.
Nesse sentido, algumas questões devem ser esclarecidas, a rigor: com que tipo de demanda irei trabalhar? Como será feita a cobrança dos honorários? Como produzir o marketing jurídico? E por último, mas de suma importância, quem são os possíveis clientes e como conquistá-los?
As respostas irão desencadear um cenário que permite aproximar da dita estabilidade. A rigor, é preciso saber exatamente quanto se pretende faturar para traçar estratégias dentro da realidade tangível de cada profissional. De modo que, a depender das respostas anteriores, há necessidade de patrocinar muitas causas que tragam um retorno menor num tempo mais curto ou poucas ações que remunerem de forma mais elevada num tempo maior.
Imagine que você é advogado atuante no juizado especial cível. A resposta para a pergunta anterior é óbvia: você necessitará ter um fluxo alto de demandas para alcançar sua meta financeira mensal, caso contrário, este modelo estrutural de advocacia, certamente, não lhe trará a estabilidade buscada.
De mais a mais, não se pode afastar de um estudo de jurimetria (estatística aplicada ao direito) pois, por mais que se tenha cuidado e estudo de viabilidade antes do ajuizamento das demandas, existem entendimentos contrários que vão conduzir uma parcela das demandas à improcedência. Enquanto que, vários fatores podem retardar o julgamento e outras variáveis que sabemos existir no curso de processos judiciais. Fato é que essas variáveis devem ser visualizadas na fase de planejamento, a fim de que não haja comprometimento na busca da estabilidade, justificado pela ausência de avaliação prévia.
Agora imagine um segundo cenário. Digamos que você advogue em direito de família, e por assim ser, o número de processos sob seus cuidados será provavelmente muito menor do que daqueles que atuam no juizado especial, atraindo a necessidade de receber honorários maiores por cada processo patrocinado, justamente pelo fato de que, em direito de família, as demandas possuem um grau de complexidade maior, pois tramitam durante muitos e muitos anos.
Definido o campo de atuação e suas peculiaridades, precisa-se definir claramente as metas e o público alvo. Esse é o momento de definir qual o perfil do seu cliente. Feito isso, é salutar focar nele, e aí entra o marketing permitido, a produção intelectual, a oferta de valor, que fará você ser lembrado e, consequentemente, procurado.
Mas, isso demanda muito trabalho, logicamente. E tirar do papel depende do quanto você quer de verdade, uma vez que é preciso estar disposto a dar o seu melhor todos os dias. Fato é que é possível. E quanto maior o seu esforço e dedicação aliado ao respeito e implemento das técnicas, mais rápido será esse retorno.
Evidentemente não acontecerá do dia para a noite. O processo de estabilização financeira da advocacia privada demanda tempo de maturação. Você deve estar preparado para isso, utilizar estratégias durante a escolha da área de atuação, do rito que vai atuar diretamente, deve levar em consideração questões como: o campo de atuação obriga ou não a realização de audiência? Há necessidade da presença do cliente na audiência? pode ser representado por procurador? E, por último, qual tempo médio de tramitação no rito?
Responder a essas perguntas permite um olhar holístico na atuação profissional. Você precisa dominar o seu mercado mesmo antes de ser remunerado de forma condizente com a realidade de quem o domina. Todo esse planejamento, estudos, metas, entrega, serão sementes do seu plantio, o qual necessita de um processo de cuidado.
Então, quando devidamente respeitadas as premissas e aplicadas as ferramentas e instrumentos essenciais, é possível ter um faturamento mensal mínimo.
Sabe qual é a notícia boa?
Nada disso depende do seu concorrente, tudo depende de você, do seu sócio, da sua equipe e todos que, de alguma forma possam contribuir com seu crescimento, seja dentro ou fora da advocacia.
E para finalizar, caso você esteja advogando e ainda não teve sucesso. Caso você tenha começado a acreditar que nunca irá se enquadrar no ramo, convido-lhe a não desistir antes de entender que não existe sucesso na advocacia nos primeiros anos e que deixar o tempo passar sem aplicar energia e estratégias também não resultará em nada extraordinário.
Portanto, planeje os dez primeiros anos de sua advocacia consciente de que se trata de um tempo de maturação e faça ao menos um curso de prática e teoria da advocacia na sua área específica por ano. Especialize-se. Acorde todos os dias as 06:00h e vá dormir as 23:00h, e entregue todo dia o melhor de si a sua profissão e aos seus clientes. E se tudo isso não gerar resultado, eu concordo, talvez a advocacia privada não seja para você.
Porém, se alguma dessas atitudes ainda não foi aplicada à sua carreira, aplique-as, pois não se pode esperar resultado extraordinário imprimindo atitudes ordinárias. Desperte o Advogado (a) de sucesso que você é e que ainda está adormecido.
Foto de Paula Souza - @_epaulinha

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