temas jurídicos

Começar na advocacia é difícil. Mas e manter-se?



Hoje, quando me sentei para escrever esse texto, enquanto escolhia uma música legal no Spotify para embalar minhas ideias, lembrei de algo que meu pai sempre me dizia: o difícil não é ter, mas manter.

Na época, eu achava essa frase um pouco pessimista. Geralmente, ele dizia isso quando via a grama que ele tinha aparado há poucos dias alta novamente depois de uma chuva.
Com um pouco mais de experiência, hoje percebo que ele tinha razão. O difícil não é ter um carro, mas mantê-lo limpo e com os documentos em dia. O difícil não é casar-se, mas manter o amor sempre aceso, mesmo nos dias ruins. O difícil não é entrar na faculdade, mas entender que aquele período irá te ensinar a profissão que te manterá pelo resto da sua vida, provavelmente - ou não.
Adoraria filosofar um pouco sobre a vida aqui, mas esse não é objetivo do texto.
O difícil não é se tornar um advogado e começar, mas manter-se advogando.
Em maio deste ano eu completei 30 anos. Me alimento bem, procuro praticar exercícios físicos e dificilmente pego uma gripe. Minha saúde indica que, provavelmente - assim espero, é claro - atingirei a expectativa de vida do brasileiro: 80 anos de idade.
Quando pensei nisso no dia do meu aniversário, numa conta fácil de fazer, conclui que ainda tenho 50 anos de vida pela frente.
Cara, é muito tempo.
Vocês, amigos e amigas, vão me desculpar, mas não quero advogar por tanto tempo, nem mesmo mais 35 anos, quando terei a tão almejada “idade da aposentadoria” - se bem que eu não tenho a mínima ideia de como vão estar as regras previdenciárias até lá.
Na verdade, não me preocupo com isso. Me preocupo com o meu plano e como vou fazer para realizá-lo.
Eu nunca fui de planejar muito as coisas. Sempre gostei de viver o “hoje”, mas a própria vida me ensinou que isso nem sempre dá certo.
Quando eu me mudei para o sítio, tinha uma boa renda mensal de algumas empresas que eu assessorava. Meu plano era bem simples e consistia em sair do aluguel e das despesas da cidade grande, juntar uma boa grana e viajar com a minha esposa por um bom tempo.
Meu maravilhoso plano foi por água abaixo em apenas três meses quando dois clientes faliram e um teve que cortar gastos, dispensando os meus serviços.
Sem clientes pagantes, longe da cidade e sem um plano B, me vi na merda. Foi aí que percebi que precisava de um plano melhor e a longo prazo.
Volta e meia vejo bacharéis em direito comemorando a aprovação no exame da Ordem. Geralmente tiram uma foto da carteirinha com a hashtag#aprovado - ou #chupaoab.
Quando vejo essas fotos, com toda positividade do mundo, é claro, sinto vontade de comentar: você nem imagina o que te espera - com algum emoction de risos.
Bem-vindo a um mundo do qual você nunca ouviu falar na faculdade. Aqui, meu amigo e amiga, já somos mais de um milhão de advogados, e o que todo mundo está querendo saber é como se manter nesse mercado.
Manter-se atualizado, usar a tecnologia, atender bem o cliente e blá blá blá. Disso você já sabe. Tenho certeza.
Eu poderia ir caminhando para o final do texto dizendo o que você precisa fazer, mas confesso pra você que também estou procurando as minhas respostas.
Talvez, no máximo, eu posso te dizer como pensar.
Pense que não existe nada imediato e as escolhas que você faz hoje vão refletir no seu futuro.
Pense que você precisa de um bom plano e de uma motivação para aqueles momentos em que você pensar em desistir dele.
Pense que você precisa aprender a dizer não para tudo aquilo que te leva pra longe desse plano.
Pense que, ao mesmo tempo que alguém cobra 25% do valor que você cobra por um serviço, tem outro que cobra o dobro do que você cobra e, na boa, é esse cara que você precisa estudar pra entender como e o que ele fez pra chegar lá.
Pense que as coisas estão mudando tanto que, provavelmente, daqui a 10 anos, você corre um sério risco de perceber que está apenas no começo e, talvez, você precise se reinventar e traçar um novo plano.
Pense que você pode criar outras fontes de renda.
Por fim, pense também que o direito é tão amplo que você pode, inclusive, advogar.
E aí? Gostou desse texto? Tem alguma experiência legal sobre manter-se na advocacia? Adoraria saber! Me conte nos comentários!
Originalmente publicado em pedrocustodio.adv.br

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