Advogando para o vale do silício brasileiro

Você já ouviu falar do Vale do Silício? Mas afinal, o que esse lugar tem de tão especial para tanta gente falar sobre ele?

Uma região ficar famosa pelo seu desempenho econômico não é nada novo. Desde muito tempo atrás, pólos industriais ou comerciais acabam ficando famosos pelo nicho da atividade que predomina ali, como foi o caso do cinturão industrial, onde era produzido grande parte dos automóveis nos Estados Unidos, e do vale do aço ou da Zona Franca de Manaus no Brasil.

Vale do Silício acabou ficando tão famoso assim por ter sido palco de um investimento massivo em pesquisa e desenvolvimento em tecnologia, o que viabilizou a fundação de grandes empresas no local. O termo “Silício” vem, inclusive, da matéria prima utilizada em vários circuitos eletrônicos, inclusive os processadores (os “cérebros”) de computadores e smartphones.
Toda essa fama, porém, não veio da noite para o dia, os primeiros empreendedores que se instalaram ali chegaram na década de 50, quando ainda se estava descobrindo a função do silício como matéria-prima em produtos tecnológicos. Eles trabalhavam em garagens e fundos de quintais, e foi mais ou menos nessa época que empresas como a Intel e a HP surgiram por ali, após muito trabalho, dedicação e pesquisas.

E o Brasil, como fica?

Por mais que o Brasil ainda esteja bem longe de se tornar um case de sucesso em desenvolvimento de tecnologia, o nosso cenário está bem longe de ser tão ruim como alguns insistem em pregar por aí. Um bom exemplo da capacidade de inovação do país é a própria Embraer, que por mais que tenha passado por maus bocados nos últimos anos, ainda se mantém como a terceira maior fabricante de aeronaves comerciais do mundo.
Agora, um dos fenômenos que tem aumentado ainda mais a fama do Vale do Silício é o surgimento de Startups de tecnologia, como foi o caso do Spotify e do Uber. Essas empresas são conhecidas por começar com muito pouco investimento e possuir modelos de negócio escaláveis e de alto risco. E no Brasil, temos algum pólo tecnológico desse tipo?
A resposta é um grande e sonoro sim! O cenário de startups no nosso país tem sido bem movimentado e daqui já foram criados seis unicórnios (startups que valem mais de um bilhão de dólares). A Distrito fez um relatório bem completo sobre essas empresas e já tem quem diga que esse ano tem potencial de consagrar mais sete unicórnios em nosso país.
O cenário de empreendedorismo e de inovação em nosso país tem ficado cada vez mais relevante e, com isso, alguns pólos de desenvolvimento tecnológico têm surgido também. Hoje, temos grandes ecossistemas no entorno de Florianópolis/SC, Salvador/BA e Belo Horizonte/MG. Para você ter uma ideia do potencial do nosso país, o ecossistema de BH, apelidado de San Pedro Valley, abriga o primeiro escritório de engenharia do Google na América Latina e duas das dez principais alterações no código de busca da empresa saíram dali!
Alguns alunos e ex-alunos brasileiros de Stanford organizaram, no início do ano, um encontro entre empreendedores e investidores brasileiros no Vale do Silício: a Brazil at Silicon Valley. O evento, que contou com a presença dos principais agentes brasileiros do ecossistema de inovação, aconteceu na Califórnia e tinha como objetivo inserir e trabalhar o contexto de inovação para fazer com o nosso país se torne mais competitivo.

E por que eu, advogado, me atentaria a isso?

O que o Uber, a 99, o NuBank e o iFood têm em comum? Todas são empresas que trabalham com tecnologia de ponta, em modelos de negócio de alto risco, tiveram apresentaram crescimento extremamente rápido e são avaliadas em mais de um bilhão de dólares. A diferença das três últimas é que são empresas que surgiram em solo brasileiro e mantém suas operações majoritariamente por aqui.
Afinal, quem não quer advogar para essas empresas hoje?
Mas todo advogado sabe que trabalhar com direito significa construir relações duradouras e de confiança com seus clientes. Se tornar advogado de uma empresa de tecnologia depois que ela está estabelecida é muito difícil e o melhor caminho para ter uma carteira de clientes desse porte é investir em uma compreensão aprofundada das demandas iniciais deles.
Você não quer ser aquele velho conhecido que surge depois de anos para tentar retomar uma amizade com alguém que acabou de ganhar uma bolada, não é mesmo?
Startups têm demandas muito específicas que perpassam diversas áreas do direito, do tributário até o trabalhista ou societário. Não é à toa que o estado da Califórnia, onde fica o Vale do Silício, não reconhece cláusulas de não competição em contratos de trabalho, ou que cláusulas de vesting e de tag/drag along estão cada vez mais presentes em contratos sociais de startups.
Conhecer e saber utilizar os melhores instrumentos para as necessidades específicas desse tipo de empresa pode ser a diferença entre advogar para o próximo unicórnio brasileiro ou não!
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