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Feira em História: A cidade há 73 anos - Março de 1946


Texto de Adilson Simas lido durante o programa Primeira Página comandado por Valdomiro Silva em 20 de março de 2008 pela Rádio Povo de Feira de Santana:
 
A edição nº 1915 da “Folha do Norte” que circulou em 23 de março de 1946, destaca entre as principais notícias o lançamento do Imposto Predial, o começo do ano letivo no Colégio Santanópolis e as primeiras notas sobre a micareta. 
 
Através do edital nº 60, a prefeitura comunicou o lançamento do Imposto Predial para o exercício financeiro de 1946. Concedeu um prazo de trinta dias para os contribuintes que se considerassem prejudicados com os valores lançados fizessem suas reclamações de direito.
 
O edital foi assinado pelo secretário Augusto Vital Graça. Naquela edição, com os respectivos valores, estavam apenas os imóveis localizados nas ruas Voluntários da Pátria, São José, Santos Dumont, Conselheiro Ruy Barbosa, Carlos Gomes e Farmacêutico José Alves.
 
Entre os proprietários com mais de um imóvel na Rua Voluntários da Pátria estavam Eduardo Motta, Dário Santana, Maria Hilda Carneiro e irmãos, Fábio Martins da Silva, Galdino Ciriaco, Miguel Pinto, Dálvaro Ferreira da Silva e outros.
 
Somente três imóveis aparecem listados como localizados na pequena Rua Conselheiro Ruy Barbosa. Como seus proprietários Nafitalino Vieira, Modesto Simões e Edilzete Correia, sendo que os dois últimos apareciam com a observação “em construção”.
 
Manuel Souza, José Joaquim Lopes de Brito, Manuel Alves, Constantino dos Reis, Wilfrid Ferreira e Teodorico José Alves eram os contribuintes das propriedades na Rua Carlos Gomes, a que hoje liga a Senhor dos Passos a com a Visconde do Rio Branco
 
Dário Santana também aparece na Praça D.Pedro II, ao lado de Servilho Carneiro, Osório Peixoto Lacerda, Paulo Simões Portugal, Abílio Ribeiro, Bernardino Menezes, Antonio Ribeiro Cunha, Cícero Freitas Carvalho, Adalberto Constancio Pereira e outros.
 
Sobre o Colégio Santanópolis o ano letivo começou com sessão solene. Sua alta direção aproveitou a oportunidade e recepcionou os novos professores da casa e homenageou os mestres que obtiveram distinção no “Seminário de Língua Inglesa”.
 
Coube a mestra Edelvira Oliveira, que era a diretora do colégio saudar os novos professores. Já o professor e poeta Honorato Manuel do Bonfim ficou com a tarefa de homenagear os colegas que obtiveram distinção no “Seminário de Língua Inglesa”..
 
Durante a sessão vários alunos fizeram exibições. Os primeiros foram Hamilton Carvalho Lima e Fernando de Souza Santos, apresentando “Olhos Negros” com violino e piano. Já Oscar da Silva Bonfim, da 2ª série,  apresentou “Feliz Alvorada”.
 
Ficou com a professora Maria José Martins, que teceu um hino a mocidade, a missão de agradecer as homenagens que os colegas receberam. O ato final foi a palestra do mestre Áureo Filho fazendo um paralelo entre o ensino no Brasil e na América do Norte. 
 
Por fim as atenções da cidade estavam voltadas para a Micareta de 1946, que tinha no comando da comissão os senhores Alfredo Sarkis (presidente), Alberto Coelho Paim (tesoureiro), mais Dival Pitombo e João Domingues Gonçalves, como secretários.
 
Nota é publicada pela comissão pedindo a participação de todo o povo para maior brilhantismo “destes festejos já tradicionais da cidade” e convocando os chefes de cordões, batucadas e grupos carnavalescos  para receberam “instruções e auxílios”.
 
Elogios são feitos à comissão que por sua vez garante que  “a sensacional festa popular invadirá as ruas da cidade, dando ao nosso povo doses de entusiasmo para que este ‘caia no frevo’, esquecendo as agruras da vida”. Ainda sobre a festa as seguintes notinhas: 
 
Grande é a agitação nos subúrbios, em especial Sobradinho, Olhos D’Água, Kalilândia, Baraúnas, Cruzeiro, Calumbí e Pedra do Descanso. Dos distritos de Tanquinho, Pacatu e Bonfim “virão charangas, ternos e cordões para a folia que tomará de assalto a cidade”.
 
Todos esperam que o cordão “As Melindrosas’ sob o comando de Manoel Narcízio da Natividade e Manuel Fausto dos Santos, faça valer a sua classe e que a diretoria de “As Garotas” faça o impossível para que o cordão volte a brilhar como nos velhos tempos”.
 
Muito cobiçada, a batucada “Amantes da Folia”, dos engraxates feirenses, está ensaiando com afinco. Zazá, por sua vez prepara uma grande batucada e Belmonte, com a “Turma Infantil” espera abafar durante os quatro dias. Já o cordão “Estrela do Oriente”, de Anísio, vai fazer valer a fama dos foliões do Ponto Central 
 
O noticiário encerra dizendo que nas filarmônicas 25 de Março, Vitória e Euterpe, serão realizados animadíssimos bailes durante a “Micareta da Vitória” que no distante 1946 foi realizada nos dias 27, 28, 29 e 30 de abril (Adilson Simas)

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