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O tempo e os concursos públicos: Entre Chronos e Kairós




Os gregos tinham duas divindades ligadas ao tempo, o primeiro era Chronos que era o deus do tempo, mas o tempo como uma grandeza que pode ser medida por horas, minutos, dias, semanas, meses e anos, por isso até hoje usamos a expressão “ordem cronológica”, mas os gregos tinham também a figura de Kairós que era o filho mais novo de Zeus e de Tique, a deusa da sorte e da fortuna, e também representava o tempo, mas um tempo alheio à Chronos, um tempo que não pode ser medido ou previsto.

Quando se está estudando para concursos, parece que temos Chronos ao nosso lado, o tempo é medido, ponderado, utilizado, quando se está perto da publicação de um edital com o resultado do concurso, cada segundo parece se materializar e passar vagarosamente pela nossa frente.
Mais ainda é quando começamos a cronometrar o tempo entre o começo dos estudos e a aprovação.
É sobre esse tempo que quero falar. Bom, eu tive duas fases na minha preparação para a magistratura, em 2004 prestei concurso para o Superior Tribunal Militar e fui aprovado para o cargo de Analista Judiciário: Oficial de Justiça Avaliador Federal, tendo sido nomeado em abril de 2005. Naquele mesmo ano foi publicado edital para o concurso de Juiz-Auditor da JMU, e eu pensei: “oras, já trabalho aqui, vou ser juiz onde trabalho” inscrição feita comecei a estudar, ainda inebriado com a recente nomeação e com aquela sensação de invencibilidade, resultado, fui reprovado por 0,5 na prova de sentença e não fui para a oral, mas ainda assim, pensei em focar na magistratura militar já que informações indicavam que em 2007 haveria concurso para o TJMSP.
Estudei 2005, 2006 e em meados de 2007 foi publicado o edital do TJMSP, me inscrevi, passei na primeira fase, fase dissertativa, sentença e, na prova oral, 0,1 não obtive a aprovação. E agora, o que fazer? Esperar o TJMMG ou o novo concurso do STM com previsão de publicação de editais em 2012? Decidi mudar de rumo e foquei no que eu sempre sonhei mesmo, a Justiça Comum Estadual.
Depois dessa decisão, foram 4 anos de estudo, de viagens, de provas e de, para Chronos foram 1.460 dias, 35.040 horas, 2.102.400 minutos 126.230.400 de segundos, mas a verdade é que Kairós é o tempo fora de Chronos, não é o tempo medido, é o tempo como hora certa, como o momento em que as coisas acontecem.
É isso que quero dizer para você amigo concurseiro, Chronos não importa, pois Kairós significa o momento certo, momento oportuno, é muito comum que se sentir pressionado pelo tempo cronológico, ainda mais quando se está estudando há alguns anos, mas no fim da corrida não é a quantidade de tempo que você vai lembrar, é aquele momento em que você ver o seu nome na lista de aprovados que conta, é aquele momento em que você liga para as pessoas que ama para dizer “passei”, é esse momento que vai definir a sua vida, lute e se esforce para ter o seu Kairós, o seu momento único, aquele que faz Chronos parar.
Rogerio de Vidal Cunha é Juiz de Direito no TJPR, professor da Escola da Magistratura do Paraná e de vários cursos preparatórios
Instagram: @Prof_Rogerio_Cunha

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