Acusado de matar mestre de capoeira por não ter votado em Bolsonaro, diz arrependido


Paulo Sergio Ferreira de Santana, 36 anos, acusado de matar o mestre de capoeira e compositor Romualdo Rosário da Costa, 63 anos, conhecido como Moa do Catendê, que foi preso nesta segunda-feira (08-10-18), alegando uma discussão política como motivação do crime, diz que está arrependido do crime e contou à polícia que chegou a pedir desculpas para a família da vítima.


Segundo informações de testemunhas, a vítima estava em um bar perto de casa, no bairro do Engenho Velho de Brotas, quando discutiu com o suspeito por se posicionar contra o candidato Jair Bolsonaro. Após o desentendimento, o autor do crime foi até em casa, saiu do estabelecimento, buscou uma faca em sua residência e retornou ao bar.

No local, Paulo deu facadas, nas costas de Romualdo, que estava sentado, e um golpe no braço de Germínio (irmão de Romualdo). Moa do Catendê morreu, no local, e o seu parente foi socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde está internado.
No Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o autor do assassinato e da tentativa de homicídio disse à polícia que foi xingado e que estava consumindo bebida alcoólica desde o início da manhã de domingo (07).
Em entrevista à TV Bahia, a filha do mestre de capoeira Somanair dos Santos, de 35 anos, estava muito abalada e contou que tinha falado com o pai no início do dia. Ela perdeu a mãe há um mês. "Ele não teve defesa alguma. Meu pai era tudo, tudo pra mim", disse.

O Crime

O mestre de capoeira e compositor Romualdo Rosário da Costa, 63 anos, conhecido como Moa do Katendê, foi morto a facadas na noite de domingo( 7), após uma discussão política no Bar do João, na comunidade do Dique Pequeno, no Engenho Velho de Brotas, em Salvador.

Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), o autor do crime, Paulo Sérgio Ferreira de Santana, 36 anos, não concordou com a posição política de Moa, contrária ao candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), e desferiu 12 facadas na vítima.

O acusado foi preso e confessou o crime à polícia. Segundo a SSP-BA, o homem teria se aproximado do grupo em que Moa estava, e afirmou que era eleitor de Bolsonaro. Ao receber como resposta que o grupo de Moa votava no PT, o homem saiu do estabelecimento, buscou uma arma branca em casa e retornou ao bar.

Paulo Sérgio foi apresentado na manhã de segunda-feira, 8, no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e disse estar arrependido do crime. Amigos e familiares de Moa denunciaram o assassinato nas redes sociais. "Mataram a história, povo sem memória. Mestre Moa Do Katende, o senhor está vivo dentro dos corações de quem esteve perto e conheceu sua trajetória na capoeira, na música, e com a humanidade", escreveu uma internauta.

"Ainda me lembro, eu ainda menino com 17 pra 18 anos em Salvador, quando eu e Ponciano Poncianinho fomos recebidos por ele com toda sua energia e alegria na associação de capoeira angola no pelourinho-bahia. Deixo aqui meus pesares para a família do Mestre Moa Do Katende e toda capoeiragem que hoje chora! Estou triste e sem palavras para com o Brasil! precisamos de mudanças urgentes!", registrou outro amigo do mestre.
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