Entre miudezas de armarinho e pinturas surrealistas artista plástico enxerga o mundo mais positivo e colorido


A casa do artista plástico feirense Osvaldo Fadigas Barros, de 75 anos é cheia de cor, imaginação e reflete muito bem a sua personalidade e vontade de enxergar o mundo de uma forma mais positiva e esclarecedora. Na residência, localizada no bairro Santa Mônica em Feira de Santana funcionam o seu ateliê de pinturas e artesanato e também um armarinho.

Foto: Rachel Pinto/Acorda Cidade
No andar de cima ele montou uma galeria de arte onde estão expostas várias telas surrelistas pintadas pelo artista ao longo da vida e embaixo, na frente de casa existe o armarinho. O tipo de empreendimento já foi muito comum na cidade há décadas atrás e atualmente é quase uma relíquia. As fábricas de roupas de malha e pronta entrega fizeram com que essa cultura do armarinho fosse se extinguindo, assim como as novas configurações de lojas e comércio.
Foto: Rachel Pinto/Acorda Cidade
Osvaldo mantém o armarinho fielmente como aqueles que existiam no passado e no local é possível encontrar uma variedade de botões, linhas, zipers, agulhas, muito itens para costura e ainda brinquedos, cosméticos, roupas, materiais escolares, peças feitas em artesanato, balas, doces e todo tipo de miudeza que se pode imaginar. O armarinho além de ser uma fonte de renda lhe permite conhecer muitas pessoas, ampliar o contato com os vizinhos e algumas costureiras da região. Mas, a paixão do artista é mesmo pintar, inventar e colocar suas ideias em telas, quadros e esculturas e qualquer material que ele considerar que pode se transformar em arte.
Foto: Rachel Pinto/Acorda Cidade
Ele conta que tem contato com as artes plásticas desde criança. O interesse veio por curiosidade, aptidão e aos poucos ele foi desenvolvendo várias técnicas artísticas. Além das telas surrealistas, faz pinturas em cabaças, pedras, decupagem, trabalhos de colagem, artesanato em buchas vegetais, grafitismo e já começa a enveredar também pelo desing gráfico e pelo canto.
Foto: Rachel Pinto/Acorda Cidade
“As telas eu pinto em estilo surrealista e todas têm uma mensagem, uma história. O meu surrealismo já está ali decifrado e eu batizo todos os quadros com um título. A inspiração vem de Deus e eu gosto muito também de retratar a “Morena Tropicana”, da música de Alceu Valença e toda a feminilidade da mulher. Já fiz muitos painéis de rua, cartazes e trabalhos escolares. Hoje esse tipo de serviço diminuiu bastante porque as pessoas preferem pegar as imagens na internet e imprimirem em gráficas. Mas, isso faz parte da modernidade . Eu já tenho um notebook, estou começando a aprender computação gráfica. Eu sou um curioso e gosto de inventar”, acrescentou.
Foto: Rachel Pinto/Acorda Cidade
Divulgar coisas boas e espírito jovem
Osvaldo Fadigas comenta que se sente muito jovem e todo o universo artístico e de aprendizados colaboram para isso. Vaidoso, ele afirma que gosta se estar sempre bem apresentado e respirando arte o tempo inteiro. A cor na vida de Osvaldo está na casa, nas telas, nos botões do armarinho e até os seus sapatos são coloridos e compõem o visual do artista plástico criativo e entusiasta.
Foto: Rachel Pinto/Acorda Cidade
“Essa coisa de idade é uma coisa que inventaram para colocar na gente. A idade é o que tem em nossa cabeça. Eu me sinto como um homem de 32 anos e que tenho muita coisa a aprender ainda. Pretendo fazer do meu ateliê um local de visitação, de cursos e de troca de experiências. Mas, isso tudo virá com calma, não tenho pressa. Quero espalhar coisas boas, divulgar arte e tudo o que é bom. O mundo está carente disso. Estamos vivendo tempos muito agressivos e de falta de respeito entre as pessoas”, declarou.
O contato com as crianças na opinião de Osvaldo, também é uma fonte de conhecimento, reflexão e ampliação de horizontes. Às vezes ele reúne a criançada do bairro, bate um papo sobre arte e as convida a desenhar e pintar.
Foto: Rachel Pinto/Acorda Cidade
“Outro dia as crianças se reuniram aqui, desenharam e pintaram uma casa. Vi desenhos de todas as cores e formas e teve um menino que pintou a casa toda colorida. Eu perguntei a ele porque a casa dele não tinha um esquema de cores fixas e ele me disse que a casa era de todas as cores porque era a casa da cor do arco-íris. Eu acho isso lindo e eles com toda a imaginação me ensinam que há na vida há muitos olhares”, frisou.
Valorização do trabalho e acervo de memórias
Osvaldo tem vivências muito marcantes relacionadas com a arte, mas acha que o cenário em Feira de Santana é de pouca valorização dos artistas. Um momento que ele se recorda com carinho foi quando trabalhou como desenhista de estamparia e uma fábrica de roupas em São Paulo. Para o artista, foi uma grande oportunidade de aprendizado e quando conheceu muita gente bacana.
Foto: Rachel Pinto/Acorda Cidade
Mesmo vendendo algumas telas e alguns trabalhos manuais ele explica que nunca conseguiu viver exclusivamente de arte. A arte é seu alimento e um sonho que agora pretende aproveitar a fase da aposentadoria para se espalhar ainda mais.
Foto: Rachel Pinto/Acorda Cidade
Ana Maria, esposa do artista é uma de suas grandes fãs e incentivadoras. O trabalho no armarinho é dividido com ela e enquanto a renda não vem da arte, o casal se vira como pode. Ana trabalha em uma hamburgueria, presta e organiza serviços domésticos de faxina, copeira e cozinheira.
Foto: Rachel Pinto/Acorda Cidade
“Ele sempre está inventando, eu sempre dou força e acredito que em algum momento ele vai conseguir realizar seus sonhos e divulgar cada vez mais tudo que faz”, salientou.
Foto: Rachel Pinto/Acorda Cidade
Tanta jovialidade, criatividade e imaginação alimentam a autoestima do artista e sonhador Osvaldo Fadigas. Esperançoso e confiante que tudo pode melhorar, ele próprio conta a sua história e faz questão de registrá-la em álbuns de fotografias e em pastas catálogos.
Foto: Rachel Pinto/Acorda Cidade
Registros de toas as épocas de sua vida, fotos dos quadros, documentos são guardados por ele e quem quer ouvi-los é só visitar a casa de Osvaldo e viajar pelas narrativas. Em tempos de vida digital e passageira, entre os “Botões e Cartazes” de toda uma vida, ele confirma todo o significado da frase do filósofo que diz que uma pessoa que não tem memória, não tem passado. E é mergulhado no passado e também no transcorrer do tempo presente que o artista dá as primeiras pinceladas para o surrealismo do futuro.

O armarinho e ateliê do artista ficam localizados na Rua Leôncio Santo, nº 133, bairro Santa Mônica Feira de Santana. Os telefones de contato são: (75) 3625-2336 e (75) 981437619.
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