As drogas devem ser regulamentadas?


Somente o fato de que o dinheiro das drogas, se regulamentadas, fosse convertido em saúde, segurança e educação,e não em armas para o crime, já faria valer a sua regulamentação.



Augusto implorava pela vida. Caído no chão. O rosto contra o barro daquele campo ermo, e a pressão exercida pela bota do agressor contra sua cabeça.

O agressor era credor de Augusto, haja vista, a dívida contraída em recente pretérito, na qual Augusto batera a porta de seu futuro algoz, lhe suplicando algumas gramas de cocaína, à prazo.
Se fosse legal o comércio de cocaína, por certo, Augusto, o padecente toxicômano, não estaria para morrer, mas apenas com problemas financeiros, em débito com uma farmácia qualquer.
Augusto crescera no subúrbio da Cidade de Hipotética. Não havia em Hipotética acesso a lazer e cultura, e os únicos lugares onde os moradores desenvolviam a sociabilidade eram nos bares.
Sem acesso a creches, as crianças ficavam nas ruas durante todo o dia, brincando nas vielas de barro, e sonhando em serem adultos para fazerem o que fazem os adultos do subúrbio de Hipotética.
Agora, com o peso do algoz sobre sua cabeça, Augusto, o toxicômano, só pensava em sobreviver ao momento.
Todavia, nós outros, que cá estamos, podemos pensar um pouco sobre Augusto, o toxicômano.
Deixemo-lo lá, portanto, sob a bota do algoz.
- Augusto tornara-se dependente de drogas ilícitas, haja vista, ser morador da periferia. Fosse Augusto morador de uma comunidade mais assistida pelo poder público, teria dedicado-se aos esportes ou as artes, e não teria encontrado prazer na alteração de seu nível de consciência.
Ou, se sofresse, Augusto, com os dissabores da vida, iria ao médico e, de posse da receita adequada, faria uso de inibidores seletivos da recaptação de serotonina, (antidepressivos).
Mas Augusto é pobre e, está prestes a, “eufemisticamente”, fazer amor consigo mesmo.
A dependência em drogas é uma realidade de todos os tempos e de todas as sociedades. Desde sempre os seres humanos buscaram o prazer por todos os métodos possíveis.
Se a sociedade pretende organizar, com base na saúde pública, quais métodos de se atingir o prazer são adequados ou inadequados, dever-se-ia buscar a via da política pública educacional, e/ou, desenvolver condições sociais para que a busca pelo prazer seja possível por outros métodos, que não os químicos e artificiais.
Clarividente que ninguém enche as narinas de pó porque é bom. Mas porque encontra-se necessitado de experimentar sensações que a vida não lhe proporciona.
Então, criminalizar Augusto, é uma aberração jurídica e social. Augusto encontra-se enfermo pela supressão de Serotonina. Ora, por que diabos criminalizá-lo? E ainda, por que razão deixar que a complexa questão das drogas seja gerida pelo crime organizado e não pelo Estado?
Somente o fato de que o dinheiro das drogas, se regulamentadas, fosse convertido em saúde, segurança e educação, e não em armas para o crime, já faria valer a sua regulamentação.
Então, por que não regulamentar?
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